Gilmar Mendes, pra quem não conhece, é o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). Foi ele quem usou o cargo para dar palpites sobre uma série de assuntos, o que feria a independência dos três poderes institucionais e, mais ainda, ele dava opiniões sobre questões partidárias, eleitorais – parece-me que não palpitou sobre a seleção de Dunga; pelo menos não me lembro.
Como ministro do STF, ou seja, um juiz de última instância, ele não poderia opinar sobre assuntos que não estava julgando na corte que presidia. Ao opinar, tentava influenciar antecipadamente em decisões futuras ou, quem sabe, sugerir que a oposição recorresse à Justiça na disputa política, quase invariavelmente contra o governo Lula.
Foi ele também que decidiu pela suspensão da Lei de Imprensa, para a qual, segundo ele, a liberdade deve ser total.
Pois ele acaba de perder uma ação na Justiça que ele mesmo abriu contra Paulo Henrique Amorim, editor do blog “Conversa Afiada”, e mais quatro jornalistas da revista “Istoé”.
Mais importante que o mérito da ação, é a derrota de uma postura, de uma certa concepção de poder, representadas por alguém no mínimo prepotente.
É também mais um episódio para se questionar que tipo de liberdade de imprensa/expressão a oposição costuma defender ou atacar, dependendo da ocasião.



