Arquivo do mês: setembro 2011

Projeto de reforma sindical volta à pauta do Congresso Nacional

Saiu no portal da Rede Brasil Atual, em texto assinado por Evelyn Pedrozo: o projeto de reforma sindical, cujo texto foi elaborado no Fórum Nacional do Trabalho entre os anos de 2003 e 2005, voltou à pauta do Congresso.

Eu fui o representante da CUT durante os debates e a proposta de consenso que conseguimos construir – entre todos os setores do movimento sindical de trabalhadores e empresários – avança bem na mudança da estrutura que existe hoje.

Resta esperar para ver ser a proposta caminha – há muitas resistências – e se o texto original está mantido.

Leia o texto clicando aqui.

 

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Intelectuais, artistas e movimentos sociais assinam manifesto criticando a Comissão da (Meia) Verdade

A CUT é uma das signatárias de manifesto que pede correção de rumos no projeto que instala a Comissão da Verdade. Tal como está, segundo o manifesto, a comissão sairá “enfraquecida”. O projeto pode ser alterado no Senado.

Leia o texto:

“O PL 7.376/2010, que cria a Comissão Nacional daVerdade, está prestes a ser votado no Senado em regime de urgência urgentíssima, agora sob a designação PLC 88/2011*.

A aprovação do PL 7.376/2010 sem qualquer alteração, como quer a presidenta Dilma Rousseff, terá como resultado uma Comissão Nacional da Verdade enfraquecida, incapaz de revelar à sociedade os crimes da Ditadura Militar que governou o país entre 1964 e 1985.

Nós, representantes de associações de ex-presos e perseguidos políticos, grupos de familiares de vítimas da Ditadura Militar, grupos de direitos humanos e outras entidades engajadas na luta pela democratização do Brasil, pressionaremos o Parlamento e lutaremos até o fim para que sejam alterados diversos dispositivos deletérios do PL 7.376/2010.

Caso esses dispositivos sejam mantidos no texto, farão da Comissão Nacional da Verdade uma farsa e um engodo.

O texto atual do projeto estreita a margem de atuação da Comissão, dando-lhe poderes legais diminutos, fixando um pequeno número de integrantes, negando-lhe orçamento próprio; desvia o foco de sua atuação ao fixar em 42 anos o período a ser investigado (de 1946 a 1988!), extrapolando assim em duas décadas a já extensa duração da Ditadura Militar; permite que militares e integrantes de órgãos de segurança sejam designados membros da Comissão, o que é inaceitável.

Para ler o texto completo e conhecer seus signatários clique em  comissão_deverdade.

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Em video, Comisiones Obreras da Espanha convocam os jovens a sair às ruas contra a crise

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Francês desmonta jornalistas brasileiros que tentam desqualificar título de Lula. Quem conta a história é um argentino

O jornal Página 12 e seu repórter Martin Granovsky contam como foi entrevista coletiva entre jornalistas brasileiros e Richard Descoings, diretor da Sciences Po, instituição francesa que concedeu a Lula o título de doutor honoris causa.

O argentino, talvez perplexo com o comportamento dos brasileiros, intitula seu texto como “Escravagistas contra Lula”.

Saborosa mesmo é a descrição das respostas atiladas e cortantes do francês às provocações dos jornalistas.

Leia clicando aqui.

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Outra prova da capacidade dos trabalhadores organizados: em Mococa, cooperativa salva empresa falida e vai construir nova sede

Na página da CUT, texto de Marize Muniz relata como um grupo de trabalhadores de uma metalúrgica em Mococa (SP), que assumiu o comando da empresa quando ela estava em estado falimentar, conseguiu obter esta semana um empréstimo do BNDES para construir uma nova planta industrial.

A trajetória desses trabalhadores teve apoio da CUT e de suas entidades de fomento e assistência técnica na área de economia solidária.

Vale a leitura. Clique aqui.

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Financiamento da EC 29: em debate na Folha, duas opiniões nem tão conflitantes assim

No último sábado, a Folha de S. Paulo publicou um artigo em que eu defendo a necessidade de ampliar o repasse de verbas para a saúde pública, por conta da regulamentação da EC 29.

Proponho, no artigo, a aprovação do imposto sobre grandes fortunas para esse fim. Completo agora que, se aprovado, esse imposto deveria ter as verbas dele recorrentes “carimbadas”, ou seja, que sejam destinadas a um fundo específico, com gestão acompanhada pela sociedade, para evitar desvios de finalidade.

Em meu texto, repondo a pergunta formulada pelo jornal: “Deve ser criado um novo imposto para financiar a saúde pública no Brasil”. A mim coube responder que sim.

Na mesma página, a professora Maria Cristina Sanches Amorim, da PUC-SP, responde que não. Porém, nossas opiniões não são tão conflitantes como pode parecer.

A professora, além de afirmar a “legitimidade indiscutível dos gastos governamentais com a saúde” e de defender a regulamentação da EC 29 – que determina um piso de gastos do orçamento para municípios, estados e governo federal – argumenta que haveria mais recursos para a saúde se o dinheiro gasto para a rolagem da dívida pública fosse reduzido.

Maria Cristina lembra que a cada redução da taxa Selic, sobra dinheiro, que poderia ser usado para esse objetivo de incrementar a saúde pública.

Concordo com ela, e a CUT tem se batido contra as altas taxas básicas de juros desde sempre.

Por outro lado, em nome da justiça fiscal, a proposta da taxação das grandes fortunas permanece justa, com a vantagem de, se bem formulada e aprovada, ter aplicação pré-determinada e passível de controle.

Bons debates esses dois, do qual não podemos nos furtar.

Para ler meu artigo, clique em artigo_EC29.

Para ler o artigo da professora Maria Cristina, clique em artigo_EC29_b.

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Filme registra reações e comentários de Lula enquanto ele assiste imagens de si mesmo feitas 30 anos atrás

Do lado esquerdo da tela, o Lula de hoje meneia a cabeça como a relembrar cada palavra daquele Lula que, do lado direito da mesma tela, dá uma entrevista trinta anos atrás, durante a 1ª Conclat (Conferência da Classe Trabalhadora), realizada em 1981.

Cena do filme "Lula Relembra Conclat 30 Anos Depois"

O que se desenrola na tela é o filme “Lula Relembra a 1ª Conclat 30 anos Depois”, produção da CUT e da Tatu Filmes com participação da ViaTV. A primeira metade da fita, finalizada no segundo semestre deste ano, registra as reações do ex-presidente enquanto ele assiste a si mesmo durante uma exibição do filme “1ª Conclat”, realizado pelo diretor Adrian Cooper em 1981 – o único registro audiovisual do grande encontro de dirigentes sindicais que daria origem à CUT.

“Lula Relembra a 1ª Conclat 30 Anos Depois” terá uma sessão especial de lançamento no próximo dia 10, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a partir das 20h. O filme também será distribuído em DVD para os participantes da 13ª Plenária Nacional da CUT, que acontece entre os dias 4 a 7 de outubro.

“Puta merda, que cara feio”, espanta-se o Lula de hoje diante da aparição daquele que, blusa de lã azul sobre uma camiseta vermelha e crachá no peito, dá uma entrevista para os realizadores do documentário de 1981. “Se a Marisa vir isso aí, eu vou ter de agradecer ela por ter se casado comigo”.

Enquanto vai, aos sobressaltos, citando o nome dos companheiros de Conclat que surgem repentinamente na tela – muitos ele sabe onde estão e o que fazem hoje, de todos lembra a categoria e o que faziam 30 anos atrás – Lula dá pistas de seu pensamento atual.

Sorri ao acompanhar trecho do documentário em que é lida resolução em defesa da estatização dos bancos. Noutro, em que um orador vocifera contra a “partidarização” do encontro, Lula comenta que “havia muita preocupação com o PT” – ele refere-se aos grupos que decidiram não participar da fundação da CUT, oriundos do PCB, MR8 e outros partidos mais antigos. “A tradição naquela época era partido de trabalhadores dirigidos por intelectuais, e o PT nascia dirigido por trabalhadores”, comenta o ex-presidente.

Na segunda metade de “Lula Relembra…”, o ex-presidente é entrevistado pelo jornalista Daniel Brazil e reflete sobre os dois momentos. Sobre a diferença entre os grupos que não participaram da fundação da CUT, diz: “A gente tinha uma concepção de organização sindical de base que o outro pessoal não tinha”. Em outro trecho, diz: “A gente manteve a coerência e nossos princípios estão em pé”.

Quase ao final do filme, um comentário que não deixa de ter um tom amargo: “Tinha companheiro que estava lá antes de mim e ainda está. Ou seja, isso dificulta a renovação”.

A exibição de “Lula Relembra…” na Cinemateca vai ser antecedida pelo filme “1ª Conclat”, que foi restaurado pela CUT e também virou DVD.

Serviço

“Lula Relembra a 1ª Conclat 30 Anos Depois”

Sessão especial na Cinemateca dia 10 de outubro, às 20h

Endereço: largo Senador Raul Cardoso, 207. Vila Mariana, São Paulo

Escrito por Isaías Dalle

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95% dos brasileiros estariam isentos da nova contribuição para a saúde pública. Mas isso a imprensa escondeu

A CSS (Contribuição Social para a Saúde) iria incidir apenas sobre as pessoas que recebem o equivalente a mais do que é o teto da Seguridade Social, ou seja, R$ 3,691 por mês. Isso significa aproximadamente 5% da população economicamente ativa no País. 5% iriam contribuir para beneficiar outros 95%.  A medida sinalizava na direção da justiça tributária, dentro do conceito de progressividade, segundo o qual quem ganha menos, paga menos, quem paga mais, paga mais.

A imprensa comercial fez campanha contra a alíquota e festa pelo fato de a proposta ter sido rejeitada, mas escondeu completamente a informação de que 95% da população não seria taxada pela nova contribuição.

Essa proposta de financiamento da EC 29 foi elaborada pelo deputado federal Pepe Vargas (PT-RS).

Para ouvir entrevista em que falo sobre isso, clique na página da CUT.

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Como está, Plano Brasil Maior não garante geração de novos empregos no setor nem investimentos nas autopeças

CUT apoia o objetivo de proteger os empregos nas montadoras instaladas no Brasil, mas defende aprimoramento das políticas para o setor e contrapartidas sociais

Existem brechas no Plano Brasil Maior – anunciado recentemente pelo governo federal com a justificativa de proteger a indústria automobilística instalada no País – que podem ser usadas pelas montadoras para deter o avanço dos importados orientais sem, no entanto, gerar novos empregos ou investimentos na indústria nacional, especialmente na de autopeças.

Um dos artifícios já usados pelas montadoras com fábricas no território brasileiro é incluir no cálculo do índice obrigatório de nacionalização de peças o dinheiro gasto com ações de marketing, comerciais de TV, eventos de lançamento e até salários de executivos.

Essa informação foi divulgada no final de agosto pelo Sindipeças – sindicato das empresas fabricantes de autopeças. A entidade deixou claro que a prática não configura ilegalidade pelas regras vigentes no setor automotivo. Porém, é óbvio que se trata de uma maquiagem e tanto a fazer parecer que os carros que as montadoras instaladas aqui têm muito daquilo que o setor chama de “conteúdo regional”.

Pelas regras existentes antes da entrada em vigor do Plano Brasil Maior, o índice exigido de conteúdo regional, ou seja, de peças fabricadas no Mercosul, era de 60%. Porém, o Sindipeças afirmou que, na média, um carro poderia ser considerado dentro das regras com apenas 16% de peças fabricadas na região, graças ao artifício das montadoras.

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) não nega a afirmação. Diz, no entanto, que a informação do Sindipeças é “um cálculo máximo teórico da possibilidade”, nas palavras do primeiro vice-presidente da Anfavea, Luiz Moan. “Mas não é prática que adotamos na média das empresas”, completa ele.

Maquiagem continua

Já pelas novas regras estabelecidas pelo Plano, os carros que tiverem pelo menos 65% de autopeças fabricadas no Mercosul não vão pagar os 30 pontos percentuais a mais no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) imposto aos carros importados que não cumprirem a exigência. Dito assim, presume-se que desde parafusos até peças complexas como um sistema de injeção eletrônica devam ser fabricados no Brasil ou nos países do Mercosul, o que garantiria mais empregos na região e mais investimentos na ampliação ou sofisticação das fábricas de autopeças.

Nada disso. Mesmo com as novas regras, o Sindipeças afirma que a média de conteúdo regional subirá para 21% das peças que compõem um automóvel. “Um aumento da ordem de 5% não é desprezível, mas não se trata de 65%”, diz o presidente da entidade, Paulo Butori. Politicamente, o Sindipeças adotou postura cautelosa no episódio, sem atitude de confronto, mas apontou a maquiagem do índice de conteúdo regional com todas as letras.

Em parte, essa manobra é possível porque o índice é calculado tendo como referência o preço final do veículo, e não sobre seu custo de produção – o que impediria a inclusão de investimentos com marketing, por exemplo, que podem até gerar demanda nas agências de publicidade, mas não ajudam as autopeças.

Outra explicação é o regime automotivo do Mercosul e o acordo setorial com o México. Peças produzidas nesses países são contabilizadas como conteúdo regional, mas isso não exclui manobras como a de fábricas nesses países comprarem peças chinesas, por exemplo, montarem os carros ou parte deles em solo nacional e enviá-los ao Brasil como se cumprissem o índice mínimo de conteúdo regional.

Aliás, 75% das importações de carros no Brasil são feitas pelas montadoras que têm fábrica no Brasil. Essa quantidade de carros vai escapar dos 30% adicionais de IPI introduzidos pelo Plano.

Alertas da CUT foram desconsiderados

“Por circunstâncias como essas, a CUT sempre insiste com o governo que se deve incluir exigências rígidas e muito claras de manutenção de empregos e geração de novas vagas de trabalho e de aprimoramento das condições de trabalho toda a vez que houver incentivos fiscais ou empréstimos públicos para empresas ou empreendimentos privados”, diz Artur Henrique, presidente nacional da Central. “Se o governo não faz, as empresas têm grande margem de manobra para aquilo que mais sabem fazer: aumentar margens de lucro”.

Artur Henrique frisa que os objetivos declarados do Plano Brasil Maior são conceitualmente corretos, ou seja, “é importante querer proteger a indústria instalada no Brasil e estimular os investimentos em tecnologia em solo nacional”. Mas, acrescenta, “isso exige medidas estruturais que visem o interesse nacional, e isso inclui a defesa real dos empregos”.

Antes que se diga que o conceito de contrapartidas sociais é vago ou metafísico demais, é importante destacar que a CUT e suas entidades do setor metalúrgico, quando debateram medidas de estímulo à indústria automotiva com as entidades patronais do setor durante o primeiro semestre deste ano, apresentaram propostas concretas que não foram consideradas pelo governo federal em seu Plano Brasil Maior.

Contrapartidas cobradas pela CUT

A primeira delas, que levava o consumidor final em conta, era reduzir em 60% o percentual do IPI sobre os modelos de automóveis – e não a elevação do IPI, como afinal decidido – que mantivessem 80% de nacionalização de ferramental, máquinas, peças e componentes. Dessa forma, a CUT apontava claramente quais itens deveriam compor o índice de conteúdo regional, restringindo-os a etapas do processo industrial propriamente dito, e ainda propunha a redução do preço dos modelos vendidos no País.

No item preço, é necessário recordar que segundo reportagem recente da agência AutoInforme, que o jornalista Joel Leite publicou com riqueza de detalhes que lhe tomaram um ano de apuração, os carros vendidos no Brasil chegam a custar três vezes mais que no exterior por causa daquilo que ele chamou de “lucro Brasil”. A reportagem mostra que não são os impostos e muito menos os salários no País que encarecem o preço, mas a absurda margem de lucro das montadoras aqui instaladas.

Joel Leite. Foto de Roberto Parizotti

A CUT ainda propôs, em conjunto com outras centrais, que só seriam beneficiados modelos que comprovassem que a produção de seus moldes e ferramentas, a estamparia, a injeção de peças plásticas e a soldagem de suas carrocerias são realizadas no Brasil.

Quanto à questão trabalhista, a CUT exigia, em sua intervenção no projeto levado ao governo, que as jornadas não ultrapassassem 40 horas semanais, que a rotatividade nas empresas não fosse superior a 3% ao ano, que a organização sindical no local de trabalho fosse uma realidade e que fosse estabelecido um piso salarial nacional no setor.

O que pode ser feito

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, afirma que o plano, por seu caráter “emergencial”, tem muitos pontos a corrigir. E isso se dará nas 25 câmaras setoriais da indústria instaladas pelo governo Dilma, da qual participarão trabalhadores, empresários e governo.

“Essa questão do índice do conteúdo tecnológico precisa ser profundamente alterada”, diz Sérgio. “Esse índice não pode ser medido nem por preço do veículo nem por peso, mas sim em conteúdo tecnológico”. E explica: “Queremos estabelecer uma exigência mínima de que os conjuntos que compõem um carro – transmissão, motor, suspensão – sejam produzidos aqui. Isso vai exigir que as empresas invistam em inovação tecnológica. E isso as montadoras não querem, o que elas querem é que só suas matrizes detenham a tecnologia. E nós precisamos mudar isso”.

As medidas do governo até abordam o investimento em pesquisa e tecnologia, prevendo que as montadoras precisam reservar 0,5% de seu faturamento bruto para essa finalidade. Especialistas do setor, como o jornalista Joel Leite, consideram o índice muito baixo.

Segredos da Anfavea

Questionados por jornalistas, durante coletiva de imprensa realizada no último dia 19, sobre quanto as montadoras reservam hoje para pesquisa e desenvolvimento tecnológico, o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, respondeu, lacônico: “A Anfavea não sabe”. Um dos dirigentes da entidade presente ao encontro veio em seu auxílio: “As montadoras não revelam esse dado porque é muito estratégico”. Outro jornalista emendou: “Então como se vai controlar isso?”. Outra breve resposta: “O governo conhece os dados”.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC diz também que é preciso rever o regime automotivo do Mercosul e o acordo do setor com o México. “Isso tudo foi instituído em uma outra conjuntura, que não existe mais”. Ele diz acreditar que as câmaras setoriais devem concluir seus trabalhos em “alguns meses”. Essas câmaras vão discutir o conjunto da indústria, com o objetivo de elaborar uma política nacional de longo prazo para o setor, incluindo a indústria eletroeletrônica, de máquinas, vestuário e outras.

Na avaliação dele, não era possível debater todas essas questões antes de tomar alguma medida “para conter a enxurrada de importações sem nenhum conteúdo regional no setor”. Segundo dados da indústria, as importações cresceram mais de 600% entre janeiro e agosto deste ano, e a previsão é de que subiriam ainda mais em 2012, por conta da retração do consumo nos países do Hemisfério Norte, o que levaria as empresas a tentar desovar seus produtos aqui, e pela apreciação do real frente ao dólar.

Questionado se haverá aumento dos empregos na cadeia automotiva, especialmente na indústria de autopeças, ele responde: “Acho que se tudo continuasse como estava, certamente perderíamos os empregos existentes. No mínimo, agora, deixamos de perder, o que não é pouco”.

As novas regras do setor, que entraram em vigor desde o dia 16 de setembro, têm previsão de duração até dezembro de 2012. As montadoras com fábricas instaladas no Brasil têm 45 dias para se adaptar às regras. Para aquelas que não têm, as mudanças já estão valendo.

Escrito por Isaías Dalle

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Comissão da Verdade: resolução da CUT sobre o PL que está na Câmara

Ontem, por problemas internos, a CUT divulgou uma nota sobre a Comissão da Verdade que continha erros e estava incompleta, por não incorporar o debate que foi feito durante nossa última reunião da Executiva Nacional.

Pedimos desculpa pelo erro e publicamos a resolução (que deveria estar pronta há alguns dias, mas cuja redação final saiu só na manhã desta quarta-feira).

Leia:

São Paulo, 21 de setembro de 2011.

 

 

À Direção Executiva Nacional

 

Às Estaduais e Ramos da CUT

 

 

Ref.: Resolução da CUT sobre a Comissão Nacional da Verdade

 

1. Tendo em vista que a CUT é favorável a constituição da “Comissão da Verdade e punição dos torturadores”;

 

2. Tendo em vista que o PL 7.376/2010, que cria a Comissão Nacional da Verdade, está prestes a entrar na pauta da Câmara dos Deputados em regime de urgência urgentíssima;

 

3. Tendo em vista que a aprovação deste PL sem alterações, como quer o governo e como fatalmente ocorrerá no regime citado, terá como resultado uma Comissão Nacional da Verdade enfraquecida e sem condição efetiva de alcançar as finalidades almejadas pelos movimentos sociais e grupos de ex-presos políticos e familiares;

 

A Executiva Nacional da CUT, reunida nos dias 13 e 14 de setembro, resolve:

 

4. Atuar junto às bancadas federais no sentido de evitar esse desfecho, na Câmara Federal e depois no Senado;

 

5. Ao mesmo tempo, buscar que sejam alterados os seguintes dispositivos do PL, com  base nos respectivos comentários:

 

6.a. Artigo 1º “Fica criada, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, a Comissão Nacional da Verdade, com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”.

 

Comentário: O período fixado na ADCT vai de 1946 a 1988; sua utilização no PL é um embuste, na verdade busca desviar o foco do período crucial, que é o da Ditadura Militar.

 

É fundamental, inclusive do ponto de vista político, que o foco temporal coincida com a Ditadura Militar: 1964-1985.

 

6.b. Artigo 2º “A Comissão Nacional da Verdade, composta de forma pluralista, será integrada por sete membros, designados pelo Presidente da República, entre brasileiros de reconhecida idoneidade e conduta ética, identificados com a defesa da democracia e institucionalidade constitucional, bem como com o respeito aos direitos humanos”.

 

Comentário: Trata-se de um número muito reduzido de membros para um grande número de tarefas. É preciso no mínimo dobrar esse número.

 

6.c. Artigo 4º “Para execução dos objetivos previstos no art. 3º, a Comissão Nacional da Verdade poderá:

I – receber testemunhos, informações, dados e documentos que lhe forem encaminhados voluntariamente, assegurada a não identificação do detentor ou depoente, quando solicitado;

 

II – requisitar informações, dados e documentos de órgãos e entidades do Poder Público, ainda que classificados em qualquer grau de sigilo;

III – convocar, para entrevistas ou testemunho, pessoas que possam guardar qualquer relação com os fatos e circunstâncias examinados;

IV – determinar a realização de perícias e diligências para coleta ou recuperação de informações, documentos e dados;

V – promover audiências públicas;

VI – requisitar proteção aos órgãos públicos para qualquer pessoa que se encontre em situação de ameaça, em razão de sua colaboração com a Comissão Nacional da Verdade;

VII – promover parcerias com órgãos e entidades, públicos ou privados, nacionais ou internacionais, para o intercâmbio de informações, dados e documentos;

VIII – requisitar o auxílio de entidades e órgãos públicos.

 

§ 1º As requisições previstas nos incisos II, VI e VIII serão realizadas diretamente aos órgãos e entidades do Poder Público.

§ 2º Os dados, documentos e informações sigilosos fornecidos à Comissão Nacional da Verdade não poderão ser divulgados ou disponibilizados a terceiros, cabendo a seus membros resguardar seu sigilo.” (destaques nossos)

 

Comentário: Este parágrafo abre margem à eventual proteção de agentes do Estado envolvidos em crimes de Estado. Precisa ser suprimido.

 

6.d. Artigo 7º “Os membros da Comissão Nacional da Verdade perceberão o valor mensal de R$ 11.179,36 (onze mil, cento e setenta e nove reais e trinta e seis centavos) pelos serviços prestados.

§ 1º O servidor ocupante de cargo efetivo, o militar ou o empregado permanente de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, dos Municípios ou do Distrito Federal, designados como membros da Comissão, manterão a remuneração que percebem no órgão ou entidade de origem acrescida da diferença entre esta, se de menor valor, e o montante previsto no caput.

§ 2º A designação de servidor público federal da administração direta ou indireta ou de militar das Forças Armadas implicará a dispensa das suas atribuições do cargo.

§ 3º Além da remuneração prevista neste artigo, os membros da Comissão receberão passagens e diárias, para atender aos deslocamentos, em razão do serviço, que exijam viagem para fora do local de domicílio”.

 

Comentário: Este artigo abre a possibilidade de indicação de militares da ativa como MEMBROS da Comissão, o que é inaceitável. Também permite a indicação de policiais federais e agentes de órgãos como a Abin, o que também é inaceitável. E ao mesmo tempo, de modo geral, não estabelece qualquer limite à participação de servidores, nem qualquer número mínimo de representantes da sociedade civil.

 

6.e. Artigo 10. “A Casa Civil da Presidência da República dará o suporte técnico, administrativo e financeiro necessário ao desenvolvimento das atividades da Comissão Nacional da Verdade’.

 

Comentário: A Comissão precisa dispor de orçamento próprio e de autonomia financeira, para contratar os serviços que se façam necessários; é o que recomendam os procuradores da República especializados na matéria, com base na experiência de outros países em que foram criadas comissões da verdade.

 

6.f. Artigo 11. “A Comissão Nacional da Verdade terá prazo de dois anos, contados da data de sua instalação, para a conclusão dos trabalhos, devendo apresentar, ao final, relatório circunstanciado contendo as atividades realizadas, os fatos examinados, as conclusões e recomendações.”

 

Comentário: Trata-se de um prazo curto, dada a extensão dos crimes praticados e as dificuldades que tendem a surgir na apuração. É recomendável que a Comissão disponha de pelo menos mais um ano para trabalhar.

 

 

Direção Executiva Nacional da CUT

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