Pessoas que sabem o que estão falando escracham, um a um, os argumentos dos atores globais contra Belo Monte. Assista:
Arquivo do mês: novembro 2011
Alunos de Engenharia da Unicamp fazem vídeo bem-humorado que desmonta argumentos globais contra Belo Monte
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Um dos problemas nos canteiros de obra é a falta de canal de diálogo entre trabalhadores e a empreiteira responsável
Um dos principais problemas encontrados nas obras de construção civil, especialmente nas grandes, como Belo Monte, é a ausência de representantes eleitos tanto do lado dos trabalhadores quanto do lado das empresas.
A presença de dirigentes sindicais nos locais de trabalho não é permitida durante o expediente inteiro. E nos canteiros também não há representantes das empreiteiras designados para dialogar com os trabalhadores.
São diversas empresas terceirizadas – para alimentação, transporte e mesmo para as atividades-fim das obras – e ninguém que chame para si a responsabilidade de canalizar e encaminhar as reivindicações e reclamações dos operários.
E são muitos os problemas, como nossos sindicatos podem constatar em visitas às obras.
Esses problemas vão se acumulando, à maneira de uma panela de pressão, e os conflitos eclodem.
A CUT tem insistido com as empreiteiras e com o governo federal, durante nossas reuniões para elaborar o acordo nacional para a construção civil, de que é preciso estabelecer representação sindical, tanto patronal quanto dos trabalhadores, nos canteiros de obra.
Esse será certamente um instrumento eficaz para garantir os direitos e a dignidade dos trabalhadores e, por consequência, vai minimizar os conflitos.
Os empresários precisam perder o medo das representações sindicais nos locais de trabalho. Onde existem, como nas indústrias metalúrgicas do ABC, entre outras, os resultados são positivos para todo mundo.
Temos defendido também de que é necessário, desde a elaboração dos editais das grandes obras, deixar evidenciados critérios rigorosos quanto às condições de trabalho, segurança, salário, moradia e outras questões essenciais aos trabalhadores. E as empresas que não os respeitarem devem perder o acesso a financiamento público e às licitações.
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O aumento da expectativa de vida do Censo 2010 vai alterar o fator previdenciário? É preciso pressa para se aposentar?
Recentemente, o site G1 publicou uma matéria com uma advogada que diz ser especializada em Previdência. Ela diz que o fato de a expectativa de vida estar subindo vai provocar uma queda no valor das aposentadorias. O site da Globo sugere que as pessoas que estiverem perto de se aposentar devem correr até o posto mais próximo do INSS para pedir logo o benefício.
Porém, o companheiro e amigo deste blog Jesus Divino diz que o melhor é ter paciência e não se apressar. Segundo ele, é preciso avaliar caso a caso e não se deixar levar pela afobação.
A seguir, o texto do G1 e as recomendações do Jesus:
“Segundo a advogada Melissa Folmann, o aumento da expectativa causa uma variação de 0,4% a 1,4%, que pode causar perdas consideráveis ao longo de 10 anos de benefício.
A nova expectativa de vida do brasileiro, com base no censo de 2010, deve alterar o fator previdenciário e o benefício pode ficar menor. O dado do IBGE vai ser divulgado no dia 1º de dezembro. Até lá, quem trabalha em empresas privadas e está em condições de dar entrada no benefício deve correr até um posto do INSS. Segundo a advogada Melissa Folmann, o aumento da expectativa de vida causa uma variação de 0,4% a 1,4% na diminuição: “Ao longo de 10 anos, ela pode fazer com que o aposentado perca, em média, R$ 50. Isso porque o fator previdenciário foi criado em 1999 para rebater as aposentadorias precoces, que usa como um dos critérios a expectativa de sobrevida. Ou seja, quanto maior a expectativa de sobrevida, menor o benefício”, explica a advogada.
Se quiser ler o texto do G1, clique aqui.
Agora, leia o comentário:
“Até um relógio quebrado forneçe a hora certa duas vezes por dia”(comentário do Jesus)
É pensando assim é que desta vez eu não vou insistir tanto, quanto fiz nos anos anteriores.
Farei apenas algumas recomendações para aqueles que estão temerosos com a alteração da expectativa de sobrevida, e consequentemente com os reflexos desta sobre o fator previdenciário, o que poderá reduzir a aposentadoria de algumas pessoas.
Portanto, agende a sua aposentadoria pelo telefone 135 da Previdência Social (INSS), e se o mundo não acabar no dia 01/12/2011 é só ligar na previdência e cancelar o agendamento.
Tenho algumas divergências com a Melissa, mas a entrevista dela, no link acima, é muito esclarecedora.
Observações:
O fator só reduz o valor das aposentadorias a serem concedidas. Não reduz valor de aposentadoria já concedida;
Expectativa de sobrevida é diferente de expectativa de vida, a primeira é apenas ao nascer e a última é diferenciada, para cada idade tem uma expectativa de sobrevida correspondente;
Muito cuidado com as aposentadorias proporcionais por tempo de contribuição, pois além do ‘Fator’, têm o pedágio e o coeficiente da proporcionalidade que, juntos, reduzem, e muito, o valor da aposentadoria e pode causar grandes prejuízos;
Mulher, professor(a) e pessoas que tem direito de converter tempo especial, devem observar que na fórmula do ‘Fator’ apenas o (Tempo de Contribuição) será alterado, e o impacto positivo deste “bônus” neste cálculo é muito pequeno, pois tem menor “peso”. O “peso” maior são da Idade e da expectativa de Sobrevida, que continuam costantes nestes casos;
Cuidado também com as aposentadorias por tempo de contribuição, principalmente se ela for proporcional, próximo de completar 60 anos (mulher) e 65 anos (homem), pois por tempo de contribuição aplica o ‘Fator’, e por idade não se aplica para reduzir o benefício, apenas se for para aumentar;
Antes de decidir faça uma análise acuradíssima. Insisto, não tome decisões precipitadas, procure se apropriar de cada detalhe, pois “o que não sabe por conta própria, não sabe.”;
Por pouquíssimo tempo perde-se até mais de 30%. As perdas, nestes casos, podem ser superiores a R$ 1.000,00;
Resumidamente: Entre ter direito de se aposentar e ser o melhor momento para isso tem muita diferença. Portanto, fiquem atentos, pois além dos aspectos matemáticos, vários outros devem ser cuidadosamente analisados. Para evitar arrependimentos e surpresas desagradáveis na hora de efetivar a sua aposentadoria, ou mesmo depois de aposentado, faça desde já o seu planejamento previdenciário; e,
Mais informações em: http://www.observatoriosocial.org.br/conex2/?q=node/3272
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O latifúndio continua forte no Brasil, produzindo mortes, injustiça, ignorância e exploração
Dois exemplos (entre tantos) são trazidos pela página da CUT.
Em texto assinado por Leonardo Severo, ficamos sabendo um pouco mais sobre a pistolagem, o banditismo, o massacre de trabalhadores honestos na cidade de Rondon do Pará. O mais assustador do relato, para além da morte, é a cumplicidade do poder público com a indústria que mata a floresta, assassina líderes populares e condena crianças à fome e ao subdesenvolvimento.
É incrível que um assunto como esse, apesar inclusive da presença de celebridades globais no protesto contra a impunidade que foi feito naquela cidade, tenha ficado oculto no chamado “grande” noticiário.
Partimos dessa perplexidade para chegar ao outro latifúndio que tem sido combatido mais com boas intenções que com atitudes de necessário enfrentamento. Outra texto na página da CUT, assinado por Luiz Carvalho, relata o seminário realizado pelo PT para discutir mídia e regulamentação da comunicação.
Ficamos sabendo através do relato que até mesmo o fluxo de informação na internet, tido como absolutamente livre e dependente acima de tudo da iniciativa de seus autores – um João, um José ou uma Maria, dentre tantos como nós – pode ser interrompido pelas grandes corporações.
E como a Constituição, essa injustiçada, tem sido reiteradamente ignorada pelos meios de comunicação do Brasil.
Leia o relato de Rondon do Pará clicando aqui.
Leia sobre o seminário do PT clicando aqui.
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Discussão sobre trabalho decente com o governo do PSDB: tucanos fecham todas propostas com empresariado
Segundo relato da jornalista Tatiana Melin, na página da CUT-SP, a 1a Conferência do Estado de São Paulo sobre Emprego e Trabalho Decente não deixou dúvidas a respeito da vocação do PSDB nesse tipo de assunto.
Convocada pelo governador Alckmin, atendendo a acordo fechado entre a OIT e o ex-presidente Lula que previa a realização de etapas estaduais antecedendo a Conferência Nacional, que ocorre em 2012, a conferência em São Paulo teve uma característica especial: o governo do Estado votou a favor de todas as propostas da bancada dos empresários. Como o formato da conferência é tripartite, quem tem aliança com o governo anfitrião leva.
Propostas de flexibilização de direitos dos trabalhadores, portanto, foram aprovadas e serão levadas para debate na Conferência Nacional. Lembrete: outras conferências, como as de saúde e a de comunicação, sequer foram convocadas, em anos anteriores, pelo governo tucano de São Paulo, contrariando o que ocorria, democraticamente, no restante do país.
É bom destacar o resultado desta conferência de emprego para colocar em perspectiva clara o que de fato pensa esse governo, que nos últimos meses tem tentando construir um braço no movimento sindical, aproximando-se se outras centrais.
Leia mais clicando aqui.
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Confira resposta que a CUT enviou a pedido de entrevista feito pela Folha de S. Paulo
Na última sexta-feira, a reportagem do jornal Folha de S. Paulo procurou a CUT para que a Central comentasse declarações de um dirigente da Força, segundo o qual a CUT estaria brigando pelo ministério do Trabalho porque estaria “perdendo” a briga pela conquista de mais sindicatos. Enviamos também tabela detalhada mostrando que a representatividade da CUT só cresce.
Leia o texto enviado pela CUT:
A CUT, como sempre fez, consolida e amplia sua base de representação guiada pelos princípios e concepções de um sindicalismo que colocam os interesses dos trabalhadores em primeiro lugar. Sempre exercemos o papel negociador, mas jamais cedemos naquilo que representam direitos e conquistas de nossas bases.
As entidades que se filiam a nós são convencidas por esses argumentos.
Nossa tomada de posição no princípio da crise internacional, em 2008, quando fechamos questão em torno da defesa do emprego e do salário, é um exemplo disso. Nosso posicionamento em relação aos projetos que pretendem regulamentar a terceirização é outro.
Por isso tudo, a CUT vem crescendo sim, como os números mostram.
Para nós, e para os critérios mais respeitados internacionalmente, a representatividade de uma entidade sindical se mede pelo número de trabalhadores filiados, e não pelo número de sindicatos. De qualquer maneira, lideramos nos dois itens.
A polêmica atual em torno do Ministério do Trabalho, a julgar pelo noticiário, não se deve a uma inexistente briga entre as centrais por cargos no governo. Não seria verdadeiro se permitíssemos que o tema fosse reduzido a isso.
Por fim, todo e qualquer ministério, a bem do serviço público, a qualquer momento e em qualquer conjuntura, deve se guiar por princípios republicanos.
Artur Henrique, presidente nacional da CUT
Confira a tabela com os números das centrais – inclusive mostrando que a Força está em terceiro lugar, algo que o jornal ignorou, clicando em indice_representatividade.
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Grupo Jornal do Commercio, do Recife, baixa norma de aposentadoria compulsória para trabalhadores que completam 65 anos
Leia mensagem distribuída hoje pelo Sindicato dos Radialistas de Pernambuco:
O Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, em Pernambuco, está dando aos trabalhadores da empresa que completam 65 de idade um presente de grego: o desemprego. Foi criada uma norma chamada Programa de Aposentadoria Compulsória, onde todos eles estão, automaticamente, desligados do trabalho no dia seguinte ao aniversário. A nova regra vale para todo o Sistema JCPM de Comunicação (Jornal do Commercio, TV Jornal, Rádio Jornal, JC CBN Recife, JC Imagem, Gráfica JC e Portal NE10).
Tal prática representa, além de tudo, um ATO DESCRIMINATÓRIO, pois não leva em conta a condição física, mental e nem a força de trabalho da vítima. É uma prática inaceitável e que fere a Constituição Federal e o Estatuto do Idoso. Também pode ser caracterizada como ASSÉDIO MORAL contra quem completou ou está próximo de completar a “idade maldita para o Grupo JCPM”, que são os 65 anos. No documento em anexo, a informação de que a nova regra foi elaborada pela senhora Lúcia Araújo – coordenadora de RH, revisado por Eveline Borges – gerente jurídica, e autorizado pelo diretor superintendente Rodolfo Tourinho.
Aliás, por que o senhor João Carlos Paes Mendonça, presidente do grupo, que tem 73 anos, ainda não aposentou? Pelo contrário: estão a cada dia ampliando seus investimentos, suas atividades. Atualmente, encontra-se em construção o Shopping Rio Mar, no Pina, uma megaestrutura que vai render muitos lucros ao empreendedor. Então, fica a pergunta: será que só ele, com mais de 65 anos, tem lucidez e força de trabalho para continuar exercendo a sua função? Seria preciso um livro do tamanho de uma Bíblia para que pudéssemos citar as inúmeras pessoas que após os 65 anos continuam ativas, desempenhando suas atividades às vezes até de forma mais produtiva do que quando eram jovens, aliando o conhecimento, a capacidade profissional com a experiência.
Diante disso, o Sindicato dos Radialistas de Pernambuco vem, de público, repudiar este desrespeito e solicitar de Va. Sa. que se engaje nesta luta, que visa revogar esta norma absurda, que se constitui num grande retrocesso num país que tenta se afirmar enquanto uma das principais economias e democracias do mundo moderno.
Recife, 24 de novembro de 2011
Sindicato dos Radialistas de Pernambuco
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Fernando Ferro (PT-PE) sobre os videos globais contra Belo Monte: “Ou são ingênuos ou mal intencionados”
O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), parlamentar sempre antenado com o setor de energia elétrica e defensor do patrimônio público, teceu comentário interessante a respeito dos recentes videos, com a participação de atores globais, contra a usina de Belo Monte:
“Quem se manifesta contra, e ponto final, às usinas hidrelétricas, ou é ingênuo ou é mal intencionado. Sem nos esquecer jamais de que por muitas vezes o processo de construção de usinas gerou muitos problemas sociais e ambientais no passado, devemos evitá-los. Porém, temos de defender o modelo de energia hidrelétrica por razões muito simples e fundamentais. O Brasil está crescendo e vai crescer mais, e precisa de energia para isso. Essa é uma energia limpa e a temos em abundância. É uma questão estratégica para nosso futuro como nação”, disse o parlamentar, em debate realizado na última sexta-feira na cidade de Paulo Afonso (BA), próximo à usina da Companhia Hidrelétrica de São Francisco, ligada ao sistema Eletrobrás – sem a qual aquela região não teria conhecido o desenvolvimento.
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Presidente do Tribunal Superior do Trabalho manifesta apoio a projeto de terceirização defendido pela CUT e irrita Sandro Mabel
João Oreste Dalazen, presidente do Tribunal Superior do Trabalho, enviou ontem uma carta oficial para o Congresso Nacional defendendo o projeto de lei, apresentado por Vicentinho e elaborado pela CUT, que propõe a regulamentação da terceirização no Brasil. Na mesma correspondência, Dalazen critica o substitutivo do deputado Roberto Santiago (PV-SP) ao projeto de Sandro Mabel.
Um dos pontos mais importantes da carta é a defesa de critérios claros de definição e respeito ao conceito de “atividade-fim”, na qual a CUT e o próprio Dalazen entendem deve ser vetado o uso de terceirização.
Mabel, segundo relato da jornalista Marize Muniz na página da CUT, ficou muito contrariado com a carta que recebeu e manifestou irritação, sem no entanto divulgar o conteúdo da missiva. Vicentinho (PT-SP), por outro lado, fez questão de divulgar o texto que recebeu do mesmo autor.
A história é longa. Por mais de dois anos, a CUT e suas principais entidades, de todos os ramos de atividade, fizeram o diagnóstico da terceirização e prepararam propostas para regulamentar o uso dessa forma de contratação e impedir que ela sirva à precarização do trabalho.
O projeto corre na Câmara, encampado por Vicentinho. Havia acordo entre as centrais em torno da proposta apresentada pela CUT. Porém, este ano, com participação do deputado e presidente da Força, Paulo Pereira (PDT-SP), parte das centrais abriram mão de acordo e manifestaram apoio ao projeto predileto dos patrões, assinado por Santiago e Mabel.
A CUT então se posicionou contra, resgatou o acordo, a CTB veio conosco e a luta continua. Apesar de o texto ruim ter sido aprovado em comissão ontem, vamos batalhar para derrubá-lo.
Saiba mais clicando aqui.
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Em artigo publicado n’O Globo, CUT defende renovação das concessões no setor elétrico e critica posição da Fiesp
O título original do artigo é “Luz mais barata. Para todos”. O Globo usou “Mais Luz, a Preço Justo”. Leia o artigo, assinado por mim e publicado na edição de hoje do jornal:
“Sim, o Brasil precisa e merece ter uma tarifa de energia elétrica mais barata. Porém, ao contrário do que vem sendo apregoado por uma famosa entidade patronal – a mesma que dizia que com o fim da CPMF os produtos iam ficar mais baratos – não será a ocorrência de novas licitações no setor que vão proporcionar essa melhora nos preços das tarifas.
Pela legislação vigente, elaborada durante o apogeu dos processos de privatização, devem ocorrer novos leilões de privatização de empresas do setor a partir de 2014.
Seria repetir a mesma fórmula que não trouxe as tarifas para patamares justos ao consumidor residencial e nem mesmo aperfeiçoou a qualidade do serviço, como deixam claros os apagões constantes e as frequentes demoras na religação da energia que cai nas cidades brasileiras.
Por isso a CUT e sua FNU (Federação Nacional dos Urbanitários), junto com entidades dos movimentos sociais como MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores) e associações profissionais como a dos engenheiros, estão defendendo a renovação automática das concessões existentes no setor elétrico e o cancelamento de todo e qualquer leilão de empresas geradoras e transmissoras de energia.
Nossa opção por renovar as concessões se deve primeiramente ao fato de que uma suposta concorrência no setor, que melhoraria as condições ao consumidor final, não passa de falácia. Ou alguém conhece um consumidor que possa escolher de qual empresa receber a luz que usa em casa? Portanto, esse argumento, fundamental para os defensores do mercado como árbitro número um da vida em sociedade, cai por terra sem qualquer esforço maior.
Outra questão refere-se à vocação dos empreendimentos privados, avessos ao papel social que determinados setores precisam assumir. Não foi o mercado, e sim o Estado, aquele que fez investimentos para levar energia elétrica para o sertão, no programa Luz Para Todos. Muitas famílias que hoje assistem TV nas regiões mais distantes dos centros urbanos foram consideradas desde sempre como consumidores pouco lucrativos, a quem se reservou isolamento e abandono.
No caso de novos leilões ocorrerem, a energia elétrica pode cair apenas para os grupos privados que porventura adquirirem mais empresas de geração e transmissão.
Hoje a relação já é bastante perversa. Enquanto os consumidores residenciais – conhecidos no jargão do setor com o revelador nome de “cativos” – chegam a pagar, em média, R$ 200 pelo megawatt/hora, empresas do ramo de alumínio, por exemplo, pagam apenas R$ 50 pelo mesmo MW/hora (ambos os valores sem considerar impostos). Está claro que o consumidor comum paga pelo subsídio dado aos empresários. Imaginem então o que pode ocorrer se estes últimos tornarem-se donos do que resta de estatal no setor.
Não basta, porém, renovar as concessões. É preciso aproveitar esse processo para incluir nos editais novas exigências que aumentem a qualidade dos serviços e dê transparência às tarifas, tornando-as mais justas para todos.”
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