Arquivo do mês: março 2012

Demóstenes é quem encomendou o vídeo que gerou a crise de 2005 e que tirou Zé Dirceu do governo Lula

Essa notícia vem do Conversa Afiada. Paulo Henrique Amorim entrevistou a ex-mulher do comparsa de Demóstenes que fez, a pedido do (quase ex-) senador do DEM.

Quando ainda não imaginavam, nem ele nem o ex-PFL, que já davam passos céleres rumo ao cadafalso, o partido e o Demóstenes se travestiam de guardiães da ética e da moral. Daqui de onde estou, para mim estava desde sempre claro que ambos nunca haviam passado de picaretas rematados, mas a imprensa dava a maior bola pra eles.

E a Veja, hein? Neste domingo, saiu com uma matéria sobre o Santo Sudário na capa e finge que o Demóstenes e o Carlinhos Cachoeira, que combinava pautas com a direção da revista, não têm nada a ver com eles.

Na semana passada, quem fez o papel de Santo Sudário foi a presidenta Dilma, que apareceu na capa e ajudou – inadvertidamente, acredito – a revista a tentar esconder o escândalo desmoralizante que se abateu sobre a publicação e toda a editora Abril – falo da empresa  e excetuo as pessoas boas que existem em outros títulos da Abril.

Bem, sem mais demoras, recomendo a leitura do texto do PHA. Clique aqui.

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Os trabalhadores não querem pagar pela crise e vão à luta. Espanhóis fazem greve geral

Alento para todos que, por vezes, se perguntam se os movimentos populares estariam sem saída frente aos ataques do capitalismo aos direitos dos trabalhadores:

Além deste video, leia o relato da agência Carta Maior sobre a extensão e a consistência da greve na Espanha:

Esquerda.net

As principais centrais sindicais espanholas, CCOO e UGT, disseram na manhã desta quinta-feira (29) que a adesão à Greve Geral está sendo massiva e irá mesmo ultrapassar os números atingidos em setembro. Entre os 14 milhões de trabalhadores assalariados, a adesão deverá rondar os 85% a 90%, segundo avançam estas estruturas sindicais.

Segundo divulga a UGT e as CC OO em comunicado conjunto, as fábricas de automóveis estão praticamente paradas e o setor dos transportes só cumpre os serviços mínimos. 26 portos da rede de Portos do Estado estão totalmente parados. No setor da aviação, 2300 voos poderão ser afetados pela paralisação e a empresa Transmediterránea prevê o cancelamento de atividades em 22 dos seus trajetos marítimos. Nas fábricas da Renault, SEAT en Martorell, Volkswagen Navarra, Ford Almusafes e Bosch Madrid, e Airbus en Toledo a adesão à greve é total.

Os grandes centros de abastecimento da Andaluzia, especialmente o Mercasevilla, o Mercabarna e o Mercavalencia, na Catalunha, e a plataforma logística de Mercadona em Leon fecharam as portas e os setores da alimentação e o setor químico registam níveis de adesão que rondam os 80 a 90%. O turno da noite da fábrica da Repsol em Puertollano parou por completo.

Leia o texto completo clicando aqui.

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Perigo real e imediato para os direitos dos trabalhadores: “núcleo sindical” do PSDB vem aí

Os jornais, esta semana, voltam ao tema da tentativa de aproximação dos tucanos com o movimento sindical. O partido deles montou o que já se chama “núcleo sindical” e seu coordenador, Antonio de Souza Ramalho (um dirigente que está há décadas no mesmo cargo em um sindicato de São Paulo) avisa que “está pronto para ajudar Serra”.

Vamos bater três vezes na madeira e começar a carregar alho próximo ao peito.

Serra, sempre pronto a vociferar contra o movimento sindical e a colocar polícia para tratar de conflitos trabalhistas, e o PSDB, artíficie do maior processo de desmonte dos direitos trabalhistas desde o início da redemocratização, vão fazer o quê, caso consigam maior inserção no mundo sindical?

Para responder a essa questão, basta recorrer a uma reportagem publicada no jornal Valor de ontem. Sob o título “PT e PMDB são os partidos que mais contrariam interesses da CNI” (Confederação Nacional da Indústria), o jornal divulga estudo feito pela entidade patronal que aponta que PSDB e DEM são as bancadas no Congresso que mais apresentam e apoiam projetos de interesse dos empresários.

Pra falar a verdade, os dados não são novidade alguma para os brasileiros, muito menos para o movimento sindical combativo, que defende, de fato, a classe trabalhadora.

O que chama  a atenção é que a informação foi divulgada pelos próprios parceiros dos tucanos e dos democratas como um fato positivo.

Quer dizer que apoiar projetos que vão contra o interesse dos trabalhadores como o 4330 do empresário Sandro Mabel, piorado pelo relator, Roberto Santiago, é positivo para o tucanato?

Se é, então o que fará o núcleo sindical deles?

p.s.: vale lembrar que essa investida tucana começou por Minas, onde a maioria dos 250 sindicalistas a se filiar ao PSDB são de outra central sindical, a mesma que estreou com o slogan “sindicalismo de resultados” e que em 2001 apoiava a tentativa de FHC de derrubar a CLT – e que foi enfrentada por mais de um milhão de cutistas em mobilização de rua pelo Brasil.

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Fernando Haddad começa muito bem. Escolha de auxiliares é ótima

Li nos jornais de hoje que Haddad, o melhor candidato a prefeito de São Paulo, escolheu o ex-ministro Nelson Machado e o economista Amir Khair para traçar o plano de governo na área de economia e desenvolvimento.

Machado tem ao menos um feito fantástico em seu currículo: enquanto ministro da Previdência, provou por a mais b que a Previdência, observada pelo preceito constritucional e com rigor contábil, não tem déficit nenhum. NENHUM.

No dia em que ele fez esse anúncio, na presença de vários jornalistas e munido de minuciosos gráficos, os repórteres presentes não deram atenção ao fato e preferiram divulgar uma piada tola sobre doação de viagra a aposentados dita por um sindicalista bastante conhecido.

Amir Khair, brilhante professor e intelectual de fibra, vem se batendo há anos contra a política de juros altos para rolagem da dívida pública.

 

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Angeli homenageia Millôr.

Publicada na Folha de hoje

 

Recomendo também a leitura de texto de Janio de Freitas a respeito de Millôr, publicado na mesma edição do jornal. Clique aqui.

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Lula anuncia sua volta à luta política e, ao agradecer Dilma, fortalece-a ainda mais

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CUT vai ajudar Secretaria Nacional de Direitos Humanos a resgatar arquivos para Comissão da Verdade

A CUT vai intensificar sua participação no esforço por resgatar a história da luta dos trabalhadores no período da ditadura militar, com o objetivo de impulsionar a instalação da Comissão da Verdade.

Na tarde desta terça, dia 27, o coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Gilney Vianna, esteve reunido com dirigentes da Central para dar início a um trabalho conjunto para resgatar a memória daqueles que, no movimento sindical, foram perseguidos pela ditadura iniciada em 1964.

A CUT vai orientar seus sindicatos a organizar e revelar seus arquivos do período, como forma de ajudar a Secretaria Nacional a consolidar a documentação que vai subsidiar não apenas os trabalhos da Comissão da Verdade, mas ajudar a retratar o período para as futuras gerações.

Quintino, eu, Gilney e Solaney, hoje, na sede da CUT. Foto de Roberto Parizotti

Esse engajamento, já retratado numa resolução do texto-base do próximo Congresso Nacional da CUT, vai se intensificar durante a realização dos Congressos Estaduais e será levada adiante até o término dos trabalhos da Comissão da Verdade. A Comissão deve durar dois anos a partir de sua instalação, e o prazo pode ser prorrogado.

Esse resgate histórico também fará parte do projeto CUT 30 Anos e envolverá diversas secretarias, que incluirão o tema em suas atividades.

Gilney Vianna foi recebido pelo presidente da CUT, Artur Henrique, pelo secretário de Políticas Sociais, Expedito Solaney, que também é candidato a integrar a Comissão da Verdade, e pelo secretário geral Quintino Severo.

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Mitos e verdades sobre a unicidade sindical

UNICIDADE NÃO É UNIDADE

Novamente em evidência, o debate sobre mudanças na estrutura sindical brasileira vai explicitando algumas posições e revelando incoerências.

Alguns dizem, através de textos publicados na internet, que a defesa que a CUT faz do fim do imposto sindical, e sua substituição por uma contribuição que deverá passar pelo crivo dos trabalhadores, é o mesmo posicionamento dos patrões.

Os fatos, porém, desmentem essa versão.

A maioria das entidades patronais tem a mesma posição das demais centrais sindicais de trabalhadores. Prova disso veio a público no dia 21 de novembro do ano passado, durante audiência na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. Naquela ocasião, as representações patronais colocaram-se contra o fim do imposto sindical e contra a criação da contribuição sobre negociação coletiva. Foi um tocante momento de unidade entre patrões e certos sindicatos de trabalhadores.

O leitor pode conferir este episódio clicando em http://migre.me/8qLLF.

As entidades patronais (que são sindicatos) também recebem dinheiro que é descontado compulsoriamente das empresas que estão em sua base territorial. Não importa se os proprietários de uma lanchonete, de um bar, de uma fábrica ou loja achem que a entidade não faz nada para defendê-los, o dinheiro é recolhido.

Mas o Plebiscito sobre o Fim do Imposto Sindical, que a CUT está realizando em todas as regiões do Brasil desde a segunda, dia 26 de março, certamente mostrará, em consulta direta aos maiores interessados no tema, o trabalhador e a trabalhadora, que a maioria está conosco.

Muito já falamos sobre isso, mas não custa relembrar: somos contra o imposto porque essa taxa enche os caixas de todo e qualquer sindicato, mesmo daqueles que nada fazem pelo trabalhador e em cujas estruturas alguns dirigentes se perpetuam. Como o trabalhador paga sem muitas vezes nem saber qual o sindicato que diz o representar, esses sindicatos nunca ouvem suas bases e jamais debatem os rumos de sua atuação com aqueles que os sustentam.

Fala, trabalhador

Quando dirigentes de outras centrais dizem que permitir ao trabalhador escolher em qual sindicato militar e como contribuir financeiramente para a entidade é uma opção “neoliberal”, deixam entrever o verdadeiro raciocínio que os move: os trabalhadores não precisariam ser consultados, basta que acreditem piamente na boa-fé dos sindicatos e deixem para alguns dirigentes iluminados a tarefa de conduzi-los na luta política e na luta de classes.

Nada mais falso.

Quando participam da vida dos sindicatos, através das organizações nos locais de trabalho e nas atividades de mobilização que as entidades realmente atuantes realizam, os trabalhadores e trabalhadoras vivem um processo formativo, para muitos deles de iniciação na vida política e de despertar para a luta por mais direitos. Dentre esses companheiros, muitos deles se tornarão novas lideranças e a imensa maioria, atores conscientes que levarão o debate para diferentes espaços.

Por outro lado, se apenas as cúpulas sindicais decidem a pauta das mobilizações, sem ampla consulta às bases através de assembleias e reuniões nos locais de trabalho, a estrutura vai paulatinamente se enrijecendo.

Entidades realmente representativas, que fazem parte do cotidiano dos locais de trabalho onde estão seus representados, não têm o que temer com o fim do imposto sindical. Ao contrário, ganharão mais aliados, aumentarão seu número de filiados e terão mais poder de fogo no enfrentamento e nas negociações.

Alguns sindicatos podem passar por períodos de adaptação à mudança, mas se realizam o bom combate, vão posteriormente crescer e se fortalecer.

Não querendo me deter mais longamente nesse ponto do debate, destaco apenas que articulistas, em nome de outras centrais, criticam o fato de hoje a representatividade sindical ser medida a partir do número de pessoas filiadas voluntariamente às entidades. Ora, nada mais revelador: para eles, sindicato sem filiado deveria ter o mesmo valor de sindicato que conquista militantes.

Unicidade

Outro argumento enganoso utilizado por quem se opõe a mudanças na estrutura sindical é de que a unicidade sindical é fator de fortalecimento da luta. Pelo conceito de unicidade, apenas um sindicato pode atuar em nome de uma categoria de determinada base territorial.

O fim da unicidade, dizem seus defensores, fragmentaria a classe trabalhadora.

Pode até parecer verdade, mas não é.

Aproveitando-se da unicidade, muitos sindicatos mantêm um estatuto antidemocrático, que não permite a participação de chapas de oposição nos processos eleitorais que definem a direção da entidade. Assim, torna-se impossível o debate sobre os rumos da entidade e a definição de sua agenda. Muitos dirigentes, encastelados nessa estrutura, permanecem décadas na presidência e, ao final de seus longos mandatos, entronizam em seus lugares parentes ou aliados incondicionais.

Com tamanha tranquilidade e conforto, o sindicato se afasta das lutas diárias e quem perde com isso são os trabalhadores, que não tem a quem recorrer.

Fragmentação

Ao contrário do que dizem seus defensores, a unicidade é um dos principais fatores de fragmentação do movimento sindical brasileiro. Como um único sindicato paira como um totem em determinado espaço, vários sindicatos satélites são fundados na mesma base territorial, mas sem representatividade. Para isso também contribui a existência do imposto sindical, sempre uma tentação para que novas entidades sejam fundadas e se tornem fonte de renda garantida.

Relaciono alguns entre os muitos pedidos de registro sindical feitos ao Ministério do Trabalho neste mês de março, para ilustrar essa fragmentação: Sindicato dos Profissionais de Educação Física do Estado do Pará; Sindicato dos Vaqueiros do Estado do Piauí; Sindicato das Empresas de Agenciamento de Transporte Individual sobre Duas ou Três Rodas do Estado de São Paulo; Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão, Televisão, Estúdios Fotográficos, Produtoras de Áudio e Vídeo de Santa Cruz e Região.

Por que criar um sindicato de professores de educação física, quando fortalecer o sindicato de todos os professores, mais representativo e amplo, é bem melhor? Por que um sindicato dos vaqueiros, se temos sindicatos de trabalhadores rurais que representam toda a cadeia produtiva da agricultura? Para profissionais de comunicação, muito mais combativo são o sindicato dos jornalistas e o sindicato dos radialistas. Essa linha de questionamento pode se estender bastante, tamanha a quantidade de sindicatos como esses que pleiteiam registro e autorização de funcionamento.

Combinados, a unicidade e o imposto sindical provocam situações como essas que vimos acima.

Para a CUT, o melhor é construir sindicatos fortes por ramo de atividade e que representem todas as categorias que atuam nesse ramo. E que em seus estatutos prevejam a oportunidade de oposição nas eleições. Sem citar nenhum nominalmente, posso garantir que a CUT tem sindicatos que representam todos os trabalhadores que atuam em determinado setor – secretárias, manutenção, vigilantes, operários, pessoal administrativo – e em nome de todos organizam e realizam as campanhas salariais e cuidam da demanda diária, apesar de haver, na mesma base, sindicatos satélites como esses, que nada fazem e que ao final das campanhas querem receber uma parte da conquista pela qual nada fizeram.

Essa realidade, vivida por esses sindicatos, descarta outro argumento falacioso dos que defendem a unicidade. Alguns deles dizem que um sindicato sem imposto sindical e sustentado unicamente pela mensalidade dos sócios e pela contribuição sobre a negociação coletiva acabaria por representar apenas os filiados. Imensa bobagem. Quando um sindicato realiza uma campanha salarial ou briga por um benefício, os resultados são estendidos a todos os trabalhadores daquele setor ou empresa. E a contribuição sobre a negociação coletiva será aprovada (ou não) por assembleias abertas a todos, inclusive não filiados.

Sindicatos assim organizados não pleiteiam a unicidade, pois não precisam dessa proteção. Se alguém quiser montar chapa de oposição ou mesmo um outro sindicato na mesma base, que o faça. O trabalhador e a trabalhadora tem discernimento para reconhecer quem trabalha a seu favor. Por isso merecem o direito de escolher. E é essa representatividade que garante quem vai representar os trabalhadores.

 

 

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Confira o primeiro voto do Plebiscito Sobre o Fim do Imposto Sindical

Voto em assembleia na empresa Elektro, em Campinas. Foto de Alencar Roberto

Leia texto publicado na página da CUT sobre essa assembleia clicando aqui.

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Jovens “esculacham” torturadores em várias cidades do Brasil

Publicado pelo blog levante.org.br

Cerca de 150 jovens do Movimento Levante Popular da Juventude realizam um protesto contra o torturador David dos Santos Araújo, o Capitão “Lisboa”, em frente a sua empresa de segurança privada Dacala, na Zona Sul da cidade de São Paulo, na Av. Vereador José Diniz, 3700.

Os manifestantes promovem um ato de escracho/esculacho contra David dos Santos para denunciar suas ações enquanto torturador do Regime Militar.

O Levante Popular da Juventude realiza ações simultâneas de denúncia de diversos torturadores em várias capitais do país, que continuam impunes. Os manifestantes apoiam a Comissão da Verdade e exigem a apuração e a punição sobre os crimes cometidos pela ditadura militar.

O caráter das ações, conhecida como “escracho”, baseia-se em ações similares as que acontecem na Argentina e no Chile, em que jovens fazem atos de denuncias e revelações dos torturadores que continuam soltos e sem julgamento sobre suas ações durante a Ditadura Militar.

 

Quem é

David dos Santos Araújo é assassino e torturador, de acordo com Ação Civil Pública do Ministério Público Federal. A ação registra o seu envolvimento na tortura e morte de Joaquim Alencar de Seixas. Em agosto de 2010, o Ministério Público Federal ingressou com ação civil pública pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias do delegado da Polícia Civil paulista pela participação direta de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimento forçados e homicídios em serviço e nas dependências de órgãos da União.

Araújo é delegado de Polícia Civil aposentado e dono da uma empresa de segurança privada, a Dacala. Nas ações de repressão no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna (DOI-Codi) utilizava o nome de “Capitão Lisboa”.

O livro Dossiê Ditadura – produzido pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos – tem o registro de que Joaquim e seu filho, Ivan Seixas, foram presos em abril de 1971 e levados para o (DOI-Codi), onde foram espancados. Na sala de interrogatório, foram torturados um em frente ao outro.

Torturas

Os assassinos de Joaquim Alencar de Seixas foram identificados por seus familiares e companheiros como o então major Carlos Alberto Brilhante Ustra, o capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo, o delegado Davi Araújo dos Santos, o investigador de polícia Pedro Mira Granziere e outros conhecidos apenas por apelidos.

Em depoimento no Dossiê Ditadura, Ivan Seixas contou que na sala de tortura foi pendurado no “pau de arara”, enquanto seu pai foi posto na “cadeira do dragão”. Ambos foram torturados por uma equipe de umas cinco pessoas, dos quais conseguiu identificar, entre outros, David dos Santos Araújo.

O “Capitão Lisboa” também é acusado de abuso sexual, como declarou Ieda Seixas, que em depoimento ao Ministério Público Federal disse que foi prensada na parede por ele, que depois enfiou a mão dentro da sua roupa, falando obscenidades e fazendo ameaças.

Armas ilegais

David dos Santos Araújo é portador de 111 armas em situação ilegal, de acordo com investigação da Polícia Federal. A empresa de segurança Osvil, de propriedade de Araújo, perdeu por irregularidades o alvará de funcionamento como empresa de segurança que autorizava o registro de armas.

Com isso, as armas deveriam ser entregues à Polícia Federal. No entanto, essas armas se encontram extraviadas. Depois de perder o alvará, Araújo abriu uma nova empresa de segurança, chamada Dacala Segurança, que tem como clientes o grupo Anhanguera Educacional, Banco Itaú, Ford, Jac Motors, Banco Safra, Volkswagen, Banco Santander.

O processo da PF afirma que ao todo Araújo tem mais de duzentas armas ilegais, além de um arsenal de oitocentas regularmente registradas em nome da empresa Dacala, que é acusada também pelo emprego ilegal de armas de fogo na atividade de segurança privada, de acordo com a Polícia Civil.

 

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