Arquivo do mês: julho 2010

Kucinski propõe movimento “Jornalismo Ficha Limpa”

O professor da USP e jornalista Bernardo Kucinski apresenta a proposta de criação de uma iniciativa política intitulada “Jornalismo Ficha Limpa”. Seria uma espécie de frente formada por jornalistas que tenham a reputação de qualidade e honestidade e um histórico de coerência. Outro requisito indispensável é ser identificado com o combate às desigualdades sociais. Ter renome também ajuda.

Esses profissionais de comunicação assinariam um manifesto defendendo que jornais, revistas, rádios, TVs e páginas de internet façam uma cobertura das eleições 2010 com objetividade, sem coloração partidária e fornecendo mais espaço para os projetos e propostas do que para bate-bocas menores, trocas de acusação que desviam o foco do que realmente importa. Quer dizer, ao contrário do que ocorre neste momento.

O manifesto pelo “Jornalismo Ficha Limpa” também deveria explicitar quais ações editoriais e linhas de reportagem devem ser consideradas “ficha suja”, de forma tão didática quanto possível ou necessária, para assim expor quem as pratica.

A idéia também aproveitaria a boa acolhida que a população deu ao projeto “Ficha Limpa”, aprovado recentemente pelo Congresso, para mostrar que o processo eleitoral e a ação política também dependem e são influenciados fortemente pela mídia.

A frente que daria início ao “Jornalismo Ficha Limpa” não deveria, na opinião do próprio, incluir Kucinski, por ele ser muito identificado com o PT.

Kucinski apresentou a proposta durante debate da Direção Nacional da CUT na última quinta (29), na capital paulista.

Durante as campanhas de 1994, 1998 e 2002, e ainda durante boa parte do primeiro mandato do governo Lula, do qual foi assessor, o professor escrevia um relato diário, matinal e minucioso, do que a imprensa estava veiculando desde o dia anterior. A partir da sua releitura do noticiário, Kucinski então propunha ações políticas para o comando de campanha e assessores de Lula, a partir de oportunidades vislumbradas ou, especialmente, a partir da identificação de tramas que os adversários estariam traçando tendo a imprensa como pista de decolagem.

Lula era leitor assíduo desse relato e foi quem o batizou de “Cartas Ácidas”, por causa do tom intenso e do olhar agudo do seu autor.

Nova paixão

Kucinski contou ao nosso blog que atualmente está se dedicando à literatura de ficção. “Fiquei fascinado. Descobri isso e estou inteiramente voltado a essa experiência”. Em sete dias, escreveu um novela policial intitulada “Crime de Morte na USP”.

No texto, o assassinato de uma professora serve como ponto de partida para “deslindar o ambiente acadêmico, o carreirismo, as disputas de ego, os roubos de produção intelectual, enfim, os bastidores”, explica.

O livro está à espera de uma editora que decida lançá-lo.

Enquanto isso, Kucinski continua escrevendo contos e crônicas todos os dias.

Kucinski (1º à esquerda), Daniel Reis, João Felício e Rosane Bertotti, da CUT, e eu, durante debate

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CUT Nacional cria TV e rádio web

Na reunião da Direção Nacional da CUT, realizada em São Paulo na última quinta (29), a Secretaria de Comunicação da Central apresentou a plataforma e programação de uma rádio e uma TV web, que começam a operar regularmente a partir da segunda quinzena de agosto. Para divulgar as ações de nossos sindicatos e da própria CUT e assim iniciar mais uma frente para democratizar, de fato, a comunicação.

Olhem a piada encontrada no Blog da Dilma

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Gilmar Mendes perde ação na justiça contra blog e jornalistas

Gilmar Mendes, pra quem não conhece, é o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). Foi ele quem usou o cargo para dar palpites sobre uma série de assuntos, o que feria a independência dos três poderes institucionais e, mais ainda, ele dava opiniões sobre questões partidárias, eleitorais – parece-me que não palpitou sobre a seleção de Dunga; pelo menos não me lembro.

Como ministro do STF, ou seja, um juiz de última instância, ele não poderia opinar sobre assuntos que não estava julgando na corte que presidia. Ao opinar, tentava influenciar antecipadamente em decisões futuras ou, quem sabe, sugerir que a oposição recorresse à Justiça na disputa política, quase invariavelmente contra o governo Lula.

Foi ele também que decidiu pela suspensão da Lei de Imprensa, para a qual, segundo ele, a liberdade deve ser total.

Pois ele acaba de perder uma ação na Justiça que ele mesmo abriu contra Paulo Henrique Amorim, editor do blog “Conversa Afiada”, e mais quatro jornalistas da revista “Istoé”.

Mais importante que o mérito da ação, é a derrota de uma postura, de uma certa concepção de poder, representadas por alguém no mínimo prepotente.

É também mais um episódio para se questionar que tipo de liberdade de imprensa/expressão a oposição costuma defender ou atacar, dependendo da ocasião.

Para entender o caso, clique aqui. E depois aqui também.

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Tucanos perdem ação contra Google e o blog Amigos do Presidente Lula

Um salve aos nossos amigos do blog Amigos do Presidente Lula. Acusados pelo PSDB de fazer propaganda eleitoral antecipada, foram inocentados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da acusação e podem continuar no ar. A notícia foi veiculada ontem pelo portal “Imprensa”

Os tucanos, modestos, também queriam punição para o Google que, em escala mundial, afirma não ter controle sobre o que os milhões de usuários postam em seus blogs. O Google Brasil também foi inocentado da acusação.

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Estradas do Serra caem aos pedaços um ano após reforma

Um dos temas que sempre voltam em época de campanha política é a situação das estradas. De fato, é um problema. Má conservação, pedágios caros, para citar os mais gritantes, são problemas que elevam o custo do transporte e servem como gargalo da produção, em muitos casos.

Portanto, a necessidade de esforços como os previstos pelo PAC em termos de infraestrutura. E de investirmos em alternativas ao modelo rodoviário, hoje predominante.

Porém, toda a vez que os tucanos criticarem a situação das estradas no País, queremos lembrar que no Estado de São Paulo, onde governam por no mínimo quatro mandatos, as pistas intermunicipais vão muito mal.

A notícia saiu hoje (27/7) na “Folha de S. Paulo”.

O Tribunal de Contas do Estado vistoriou 67 estradas vicinais (rotas secundárias que ligam municípios) e descobriu que em 70% delas há buracos, falta de acostamento e de sinalização, apesar de todas terem passado por reforma há menos de um ano. Serra ainda era o governador. As obras são de responsabilidade do governo estadual.

Por exemplo: a estrada entre as cidades de Quadra e Guareí, a 184 km de SP, tem “pavimento estourado, ondulações e buracos de dois metros naquilo que resta de asfalto.
Oficialmente, a reforma já foi concluída. A construtora Delta a entregou em outubro de 2008 e recebeu R$ 6,34 milhões pelo serviço em 22 km”,
diz a “Folha”.

Ainda segundo o TCE, as reformas não aguentam um décimo do tempo que deveriam aguentar. “O tribunal cita, por exemplo, a falta de estudos que provocam erros de projetos, inclusive com avaliação incorreta do tipo de tráfego. Outro motivo pode ser a má execução da obra por construtoras, como materiais ruins e falta de reforço do pavimento e de sistema de drenagem.”

Tem até um vídeo para registrar. Veja aqui.


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No mínimo, é Dilma

O salário mínimo é uma conquista histórica dos trabalhadores. Getúlio Vargas deu forma jurídica à luta por um piso salarial nacional.

Depois dele, o debate teve vários episódios.

O mais recente foi a luta unificada das centrais sindicais por um mínimo que superasse a inflação e recuperasse o poder de compra.

Antes, um pouco antes, o discurso neoliberal, protagonizado pelo PSDB e pelo ex-PFL, e seus representantes na imprensa, dizia que um mínimo fortalecido criaria inflação e que quebraria as contas públicas.

Mentira. O salário mínimo conquistado pela voz das ruas (seis marchas a Brasília, milhares a cada ano pressionando por uma política permanente de valorização do piso) representa hoje um recorde histórico. Foi fundamental para o fortalecimento do mercado interno e, como consequência, pela superação da crise internacional que explodiu no ano passado.

Dilma Rousseff, nossa candidata, diz que o acordo com as centrais será honrado. E que apesar do PIB fraco de 2009, haverá aumento real no ano que vem. Para entender, clique aqui.

Já Serra, em entrevista à Rede Brasil Atual, disse hoje (26) que aumento para o mínimo vai acontecer “quando possível”. Veja aqui.

Alguma diferença?

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41% a 30%. E Dilma cresce entre as mulheres

O instituto Vox Populi (voz do povo, em latim), deu 41% a 33% de vantagem para Dilma nas intenções de voto. Já o Datafolha, do grupo “Folha”, saiu  depois com uma pesquisa que traz Dilma tecnicamente empatada com Serra, em 37% a 36%.

Mas o mais interessante do Datafolha ficou explicitado pelo jornal “Folha” na edição de ontem (25). Sem grande destaque, é verdade, foi preciso esforço para encontrar a seguinte frase, colhida pelo jornal na pesquisa que haviam divulgado um dia antes: “Para 41% dos eleitores, a vencedora da disputa será Dilma, contra 30% que acreditam em uma vitória de Serra”, diz. Isto é resultado da pesquisa Datafolha, que eles noticiarm muito timidamente.

Pessoalmente, acho surpreendente que uma situação de empate, que vem sendo apontada pelo Datafolha desde sua penúltima pesquisa, permaneça com tudo o que vem acontecendo nos últimos dias, para o bem ou para o mal.

O Datafolha já acertou várias vezes. Em 88, ganhou notoriedade quando anunciava a vitória de Luiza Erundina sobre Maluf, na disputa pela prefeitura de São Paulo. Festejamos o desempenho do insttuto.

Mas já errou também, como no caso que o Luiz Carlos Azenha está recordando em seu “Vi o Mundo”.

Acho que nosso trabalho é continuar debatendo as propostas de campanha e acreditar que Dilma está abrindo frente nas pesquisas.

O próprio Datafolha deixa transparecer isso. Nas respostas espontâneas (aquela que o entrevistado dá sem que o pesquisador apresente antes nomes ou fotos de candidatos), Dilma aparece com 21% a 16%. Isso é um claro movimento de ascensão (e que pode ser usado lá na frente, pelo Datafolha, se ficar evidente demais o crescimento de Dilma. Eles vão poder dizer: “ué, mas a gente já constatava isso nas pesquisas…”).

Na página de internet do instituto, outra notícia importante: Serra perdeu sete pontos percentuais no eleitorado feminino. Os jornais e revistas vinham insistindo na tese de que Dilma patinava nesse segmento. Já o Vox Populi mostra que Dilma ultrapassou mesmo o tucano no voto feminino: 38% a 32%

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