Mercadante propõe ‘ProUni da Saúde’

O candidato do PT ao governo do Estado de São Paulo, Aloizio Mercadante, está estudando proposta para criar o que chama de “terceiro turno do SUS nos hospitais particulares”.

Há ociosidade nos hospitais privados no período da noite e madrugada adentro. Há um grande número de pacientes que precisam utilizar equipamentos sofisticados de diagnóstico e de tratamento, para doenças como câncer, problemas cardíacos e para hemodiálise, por exemplo.

Os hospitais privados têm esses equipamentos, que não seriam usados em plena capacidade à noite. Muitos desses hospitais são ligados a seguradoras ou planos ou saúde. E esses planos e seguradoras sempre transferem seus clientes para o SUS, em casos de tratamentos complexos.

Por que não exigir uma contrapartida, fazendo com que esses hospitais particulares cooperem no atendimento, colocando à disposição seus equipamentos?

Seria algo como o ProUni, guardadas as evidentes diferenças. O tema ainda está em debate na campanha de Mercadante.

É uma ação para melhorar com mais rapidez a imensa fila que existe na rede pública no Estado de São Paulo. Um cateterismo, por exemplo, leva até seis meses entre o pedido e o atendimento.

Em nossa opinião, seria uma ação intermediária, pois o objetivo é consolidar o SUS cada vez mais como modelo integralmente público.

A proposta do terceiro turno foi abordada em seminário realizado no último sábado, em São Bernardo. O seminário, convocado pela campanha de Mercadante e coma presença do próprio, debateu com trabalhadores da Saúde o detalhamento de propostas de governo para a área.

p.s.: não se trata de terceirização nem de projeto de caráter permanente, mas de uma proposta de cobrar contrapartidas dos planos de saúde e seguradoras.

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1 comentário

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Uma resposta para “Mercadante propõe ‘ProUni da Saúde’

  1. Uma estratégia para Mercadante
    (publicado no “Amálgama”)

    As próximas movimentações da campanha de Aloizio Mercadante esclarecerão se ele está de fato empenhado em vencer a disputa para governador de São Paulo, ou se busca apenas fortalecer pretensões futuras (por exemplo, à prefeitura da capital). Caso planeje satisfazer as expectativas da militância, o senador dispõe de um repertório muito restrito de manobras.
    Seu desafio imediato, chegar ao segundo turno, é mais difícil do que parece. Como se sabe, Geraldo Alckmin (PSDB) possui vantagens quase insuperáveis: maior tempo de propaganda no rádio e na TV, apoio dos grandes veículos de comunicação e das maiores empresas do país, imensa estrutura administrativa, ocupada há quase duas décadas por quadros peessedebistas.
    Dadas as circunstâncias, a única maneira de minimizar esses trunfos nos poucos meses disponíveis seria unir esforços com a campanha de Dilma Rousseff, para benefício de ambos. Em outras palavras, trata-se de regionalizar o embate presidencial e identificar a candidatura de José Serra com a sucessão paulista.
    As pesquisas apontam ampla vantagem do tucano em São Paulo, cuja densidade populacional é suficiente para influir no contexto nacional. O adiamento da definição paulista ajudaria a encerrar as disputas presidenciais já no primeiro turno. Centrando esforços no front estadual, as campanhas petistas atingiriam a máscara de bom administrador que Serra exibe no resto do país. Expondo as fraquezas da hegemonia do PSDB paulista, minariam a vantagem de Alckmin, constrangendo-o a defender (ou, mais provavelmente, atacar) os desafetos de partido.
    Desunidos em São Paulo, como já estão em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, os tucanos caminhariam juntos para a derrota presidencial imediata. No segundo pleito, desgastado, Serra teria participação apenas protocolar na campanha de Alckmin. Ao mesmo tempo, Mercadante seria beneficiado pelo prestígio de Lula e Dilma.
    Mas, para tanto, petistas e aliados precisam tomar a iniciativa e atacar, impondo a pauta dos debates sucessórios. Tudo que Alckmin quer agora é uma campanha propositiva e enfadonha, que anestesie o eleitor até outubro.
    Temas não faltam para constrangê-lo: as atrocidades impunes da PM, a vergonha do sistema carcerário, as violências praticadas contra os menores da Fundação Casa (antiga Febem), as suspeitas no Rodoanel e no Metrô, o sucateamento do ensino público, as enchentes nas marginais paulistanas e, principalmente, os escorchantes pedágios que cercam as principais cidades do Estado. Aliás, é assombroso que alguém precise forçar a inclusão de escândalos dessas proporções na agenda eleitoral.
    Impera certa mistificação no meio político em torno da chamada campanha negativa. Basta que os ataques demonstrem respeito às demandas populares para conquistar a empatia do eleitorado. Denunciar adversários e esclarecer o público não exigem necessariamente uma comunicação pesada ou repulsiva. As peças audiovisuais criadas com esse fim podem assumir inúmeros formatos, da comédia à reportagem, passando pelo drama e até pela animação.
    Recursos técnicos e humanos não faltam. Mas haverá verdadeiro interesse dos personagens envolvidos?

    http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/

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