Como denunciava a CUT, indústria exagerou ao pisar no freio em 2009, diz técnico do Dieese

Nas entrelinhas da boa notícia de que o Brasil gerou 1,7 milhões de empregos formais em 2009, segundo dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) divulgada ontem, há a constatação de que o setor industrial, temeroso com a crise internacional, exagerou na dose de cautela no ano passado.

A opinião é do técnico do Dieese Nacional, Antonio Ibarra. E confirma o que a CUT dizia no primeiro trimestre de 2009, quando denunciou que setores do empresariado estavam agindo de maneira precipitada – e alguns de maneira oportunista – ao demitir aos primeiros sinais da crise ou ameaçar com cortes de salário.

“O setor da indústria pisou forte demais no freio”, diz Ibarra, habituado a analisar os dados do emprego no Brasil. “Tanto que o setor continua tentando superar os efeitos da crise”, completa. E explica: o saldo positivo de empregos no setor foi de 50 mil. “É muito pouco”, diz. “A própria Fiesp reconhece que exagerou na dose”. Isso significa que a maior parte das contratações apenas repôs demissões que não precisariam ter sido feitas.

Outro dado observado por Ibarra é que o crescimento na indústria é mais forte nos municípios pequenos e médios. “A indústria está cada vez menos metropolitana”, conclui.

Embora a RAIS não tenha sido divulgada ontem pelo ministro do Trabalho Carlos Lupi com todos os dados – ainda não consta, por exemplo, a geração de empregos por subsetores – Ibarra diz que a indústria de transformação no interior tem sido impulsionada pelas refinarias de cana-de-açúcar, tendência que a RAIS, em anos anteriores, já sinalizava com clareza.

Salários

Os números divulgados ontem mostram que o maior número de empregos formais gerados se deu entre pessoas com ensino médio completo. Foram 1,29 milhões de empregos. Porém, a escolaridade mais elevada não se traduziu com a mesma intensidade no aumento do rendimento médio salarial no ano passado, que subiu 2,51%. “Deveria ter sido melhor”, analisa Ibarra.

Entre os trabalhadores com ensino superior, para quem foram geradas 472 mil vagas com carteira assinada, o rendimento médio subiu 0,57% em relação a 2008. “É praticamente estável, o que é pouco”, analisa.

Entre os brasileiros que não completaram o ensino fundamental, houve recuo de 90,8 mil vagas em relação a 2008. Para Ibarra, isso pode significar que o emprego nessa camada, que foi forte geradora de vagas formais especialmente em 2007 e 2008, passa por uma acomodação. “A maioria dos trabalhadores com essa escolaridade, mesmo que mude de emprego, permanece no mercado”.

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