Redução da jornada: para mudar, temos de eleger parlamentares comprometidos com a classe

A Folha de S. Paulo publicou na edição impressa desta terça (10) um pequeno texto em que afirma que Dilma teria “desagradado” as centrais sindicais ao não ter defendido de forma explícita, durante debate na TV Bandeirantes, a redução da jornada semanal para 40 horas.

O repórter me telefonou ontem, para saber minha opinião. Ele disse ter telefonado também para dirigentes de outras centrais. Mas o que eu disse não foi considerado, sequer citado no texto.

Aproveito então para narrar o que disse.

Primeiro, eu disse que a redução da jornada de trabalho semanal está neste momento sob esfera do Congresso Nacional, que precisa aprovar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional).

São os deputados e senadores que têm o dever de encaminhar a mudança. A opinião de uma candidata, e mesmo de um presidente, pode influenciar, mas não pode decidir o tema.

Quando apresentamos oficialmente a proposta à Presidência da República, durante a IV Marcha Nacional da Classe Trabalhadora, em 2007, Dilma estava lá, como ministra-chefe da Casa Civil, e Lula também.

Defendíamos bem antes daquele momento a aprovação da PEC 231/95, que institui a redução da jornada.

Por sugestão de Lula, realizamos um abaixo-assinado que reuniu mais de 1 milhão de assinaturas em defesa da redução. Entregamos o abaixo-assinado em ato político no Congresso.

Com o apoio do deputado Vicentinho (PT-SP), ex-presidente da CUT e relator da emenda constitucional, aprovamos o projeto em todas as comissões.

Falta ir a plenário. Desde então, fizemos vários atos políticos no interior do Congresso, pressionando pela aprovação da mudança.

A proposta ainda não avançou.

Isso é mais uma demonstração de que um de nossos grandes problemas é a maioria de deputados e senadores que não tem compromisso com os interesses da classe trabalhadora.

Temos de votar em deputados e senadores que não tenham origem nos meios empresariais ou em partidos como PSDB e DEM.

Faço aqui uma ressalva. No que se refere especificamente à redução da jornada, dois tucanos se comportaram bem, defendendo a proposta: Carlos Sampaio e Rita Camata.

Sampaio, numa das audiências públicas em que as centrais lotaram o Congresso, chegou a dizer: Estou no meu segundo mandato, e participei aqui de várias comissões, de investigação e outras mais. Mas essa foi a primeira vez que eu me senti de fato perto da população. Me senti pela primeira vez efetivamente útil à sociedade como parlamentar“.

Não estou defendendo voto nele. Só cito o que ele disse como forma de destacar a crítica de um parlamentar de oposição àquilo que o partido dele vinha fazendo no período anterior, inclusive nas CPIs que tentaram derrubar o governo Lula.

Votar em deputados e deputadas, senadores e senadoras que tenham compromisso com os interesses gerais da classe trabalhadora é um dever de todos nós, para destravar projetos como o da redução da jornada e para diminuir a necessidade de alianças incômodas, outro assunto polêmico.

Leia mais sobre redução da jornada clicando aqui.

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1 comentário

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Uma resposta para “Redução da jornada: para mudar, temos de eleger parlamentares comprometidos com a classe

  1. Maria de Fátima

    Agora que conseguimos uma bancada de deputados suficiente para fazer todas essas reformas; vamos conseguir reduzir a jornada de trabalho? Principalmente dos trabalhadores da saúde? Que estão paradas lá congresso faz tempo.

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