Arquivo do mês: dezembro 2010

Estão tentando impor a agenda dos derrotados ao próximo governo eleito

Os juros têm de aumentar, dizem analistas e jornalistas dos jornalões. Parece profecia sob olhar fundamentalista: não se discute, apenas teme-se e obedece.

Tem de cortar a gastança da máquina pública, pois o governo só sabe desperdiçar. Parece conselho de tio ou tia mais velhos.

Tem de dar total liberdade ao Banco Central, afinal são eles que entendem de economia. Política nada tem a ver com economia. Este conceito parece opinião de soberanos medievais que se valiam da ideia estúpida da iluminação divina.

Mais uma, esta notada e destacada pelo jornalista Igor Fuser, no portal do MST. Agora, a velha mídia começa a recortar certos trechos dos telegramas vazados pelo WikiLeaks com acusações gringas a certas instituições, como o próprio MST, e não se dá ao trabalho de consultar o criticado antes de publicar – como se o fato de não ser os autores dos telegramas desobrigasse a velha mídia de promover o contraditório. Parece o Gilmar Mendes, com aquela postura de magistrado que detém a última palavra.

Ridículo. Vamos combater essas vozes tidas como “iluminadas”.

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Feliz Natal e próspero ano novo: quem conquistou os avanços que vivemos foi o povo brasileiro

Queridas companheiras, queridos companheiros

O que sentimos e compartilhamos hoje é mais do que o Natal e o cada vez mais próximo fim de 2010 e a chegada de 2011.

Estamos testemunhando e vivendo como personagens de primeiro time a passagem de um momento histórico. Oito anos de governo que nós apoiamos e que coroou um sonho que acalentávamos desde antes de 1983, quando a CUT foi fundada.

Poderiam estes oito anos ter sido mais, se algumas de nossas instituições republicanas estivessem à altura.

Porém, foram anos inéditos. Houve outros de mesma intensidade dramática e de afirmação da vontade popular, mas arrisco-me a dizer que os que vivemos agora são especiais pelo fato de terem conjugado luta e resultados de forma quase – repito, quase – simétrica. Não houve interrupção, embora parcela poderosa da sociedade, a detentora do capital, houvesse tentado com afinco.

Não houve tampouco promessas mirabolantes que não resistiram aos meses que se seguiram aos discursos de posse.

Qualquer sigla que chamasse para si a autoria exclusiva dessas parcelas de alegria que experimentamos hoje estaria sendo injusta.

Quem conquistou os avanços que vivemos foi o povo brasileiro.

Povo que foi chamado a um desafio e teve à sua frente a abertura de um conjunto de oportunidades e de sonhos, mesmo aqueles que poderiam ser chamados pequeninos, como a oportunidade de ter um emprego com carteira assinada e a chance de estudar. Diante deles, o povo brasileiro demonstrou destemor e prazer em cumprir o seu dever.

A crença de que seríamos indolentes está submersa. De que seríamos despreparados para encontrar soluções, morta. Os escafandristas e arqueólogos, quando nossa geração não estiver mais aqui, terão o dever de registrar a confirmação de nosso espírito trabalhador, responsável e lutador que por tanto tempo os analistas do instantâneo tentaram negar.

Chamado à luta, e municiado das chances de que precisava, o povo brasileiro mostrou seu valor. O desejo e a esperança não embaralharam nossos sentimentos. Apenas nos fizeram mais fortes, mais guerreiros.

Os jovens de famílias pobres que tiveram acesso à universidade, pública ou privada, graças às políticas públicas que sempre defendemos, estão se diplomando com notas de louvor.

As famílias que contraíram crédito têm mantido taxas de inadimplência seguras, a despeito da torcida contra dos conservadores encastelados em suas colunas (colônias?) nos antigos veículos de comunicação.

Os trabalhadores e trabalhadoras rurais que tiverem acesso à terra, em sua resistência contra o latifúndio, produzem cada vez mais e são responsáveis pela imensa maioria dos alimentos que chegam às mesas das famílias brasileiras. E recente pesquisa demonstra que a qualidade de vida nos assentamentos é maior do que os assentados tinham antes de chegar lá.

A indústria registra aumentos continuados em sua produtividade, graças à mão de obra cada vez mais qualificada e politizada pela ação sindical (e menos pelos programas do SESI ou SENAI, que só fazem reclamar).

Regiões tradicionalmente identificadas com a pobreza, como o Norte e o Nordeste, demonstram dinamismo econômico e social nunca antes visto e já invertem, como demonstrado por mais de um índice, a tendência migratória. Hoje, mais nordestinos e nortistas ficam em suas regiões de origem do que aqueles que vêm em busca da ilusão do anteriormente chamado “Sul Maravilha” caricaturizado pelo genial Henfil.

No comércio e serviços, setor dos mais cruéis no meio urbano no que se refere aos direitos dos trabalhadores, existe hoje a garantia mínima de descanso remunerado. E o setor bate recordes de venda neste Natal, primordialmente pela coragem de seus trabalhadores e trabalhadoras.

O serviço público, tão duramente menosprezado pela corrente de pensamento vigente nos anos 1990, passa por valorização e recomposição após décadas de abandono e responde positivamente com resultados como o fim das filas dos postos do INSS, por exemplo.

A CUT é uma parte disso, menos por ser a representante da maior parte dos trabalhadores e trabalhadores brasileiros sindicalizados, e mais pelo fato de ter sempre acreditado que quando o povo retomasse a sua chance de mostrar seu valor, assim o faria.

Feliz Natal. Feliz 2011. Vai depender, mais uma vez, de nós. A CUT aqui estará para continuar cobrando, da melhor maneira que puder, que patrões e governos repartam os resultados positivos com aqueles que são os maiores responsáveis por eles.

Rumo a uma sociedade fraterna e socialista.

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PSDB prepara mais um ataque contra o serviço público de Saúde no Estado de São Paulo

Governador Alberto Goldman, ex-comunista, conseguiu aprovar na Assembléia Legislativa paulista uma lei que vai vender – vender, literalmente – 25% dos leitos de hospitais públicos para clientes de convênios privados.

O texto saiu no Vi o Mundo. Leia.

Saiba mais também sobre as mutretagens tucanas contra a saúde do povo clicando aqui.

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Greve nos aeroportos: empresas tentam jogar seus erros de gestão nas costas dos trabalhadores

Ontem passei boa parte do dia dialogando com ministros e com companheiros sindicalistas do setor de aviação civil, na tentativa de encontrar solução para o impasse que se instalou.

As conversas me ajudaram a ver, mais uma vez, que as empresas aéreas desrespeitam os consumidores de maneira espantosa e tentam creditar esses para os trabalhadores.

Digo mais: as empresas tentaram empurrar seus trabalhadores para a greve e jogá-los contra a população.

Por outro lado, a Justiça foi extremamente rigorosa com os trabalhadores do setor mas, desta vez, sequer se pronunciou a respeito dos índices de reajuste reivindicados por um dos lados e o oferecido pelo outro, como costuma fazer.

O Brasil e suas autoridades precisam com urgência cobrar das empresas aéreas que cumpram seus deveres.

Leia mais sobre isso clicando no saite da CUT.

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Salário mínimo: má notícia de Natal para 47 milhões de brasileiros

O Orçamento da União prevê que o salário mínimo vai ficar mesmo nos R$ 540.

Se mantido esse valor, o governo Lula perderá, assim, a oportunidade de terminar seus oito anos com a adoção de aumento real para o salário mínimo 2011, o que contradiz a relação desse mesmo governo com o tema.

E o governo Dilma perderá a oportunidade de começar com um aumento real para o salário mínimo, do qual dependem direta ou indiretamente 47 milhões de brasileiros. Não combina com o mote de sua campanha, o de erradicar a miséria no Brasil.

Como demonstrado por estudo recente da Fundação Getúlio Vargas, 67% de toda a migração de pessoas das classes E e D para a classe C deve-se aos aumentos reais para o salário mínimo – mais do que o papel desempenhado pelo Bolsa Família, por exemplo.

Se não houver aumento real para o mínimo, punem-se os trabalhadores brasileiros pela crise internacional iniciada em 2008, sobre a qual não tiverem responsabilidade alguma, e não se reconhece o papel importante que tiveram na superação dessa mesma crise.

Enquanto isso, o empresariado fica integralmente com os benefícios de políticas que o beneficiaram durante a crise, como a desoneração temporária de impostos.

Além disso, estavam na pauta de negociação com as centrais – processo interrompido pelo governo após uma única reunião – a correção da tabela do imposto de renda e o aumento para aposentadorias acima do salário mínimo. Nenhum dos temas foi adiante, mas, quase ao mesmo tempo, o governo anuncia incentivos fiscais para investimentos de longo prazo. Para os trabalhadores, nada.

Essa decisão, se mantida, será ruim para a imagem do governo que termina e do governo que vai começar, mas é bem pior para o cotidiano de quem precisa do salário mínimo.

 


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62% de aumento autoconcedido para 500 e poucos. Enquanto isso, o mínimo…

Antes tarde do que nunca. Já deveria ter feito este post, mas vai lá: um absurdo os deputados e senadores terem aprovado na velocidade da luz um aumento para si mesmos de 62%, enquanto o salário mínimo, importante para 47 milhões de brasileiros, patina no valor de R$ 540.

Falta de sensibilidade, na melhor das hipóteses.

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Imposto de Renda: equipe econômica erra ao não negociar mudanças com o movimento sindical

Li pela imprensa que a equipe econômica do futuro governo não pretende atualizar a tabela do imposto de renda.

É um erro. O movimento sindical tem essa reivindicação, apresentou-a a alguns ministros e lembra que, desde 2006, sempre como resultado de negociação com as centrais, a tabela do IR vem sendo atualizada em janeiro, aumentando a faixa de isenção e reduzindo os percentuais para parte significativa dos assalariados.

A atualização sempre se deu, nesse período, com a retirada de 4,5% das faixas de cobrança – percentual que corresponde ao centro da meta de inflação estipulada pelo governo.

A atualização é pouco diante do desafio de mudar a estrutura tributária brasileira, altamente regressiva – quem ganha menos paga mais, como todos sabem. Mas, ainda que tímida, a atualização fazia um pouco de justiça e apontava, politicamente, para mudanças mais ousadas.

Ficar sem nenhuma medida é ruim demais.

Ainda no noticiário, vimos que teria havido uma mudança, sim. A faixa de isenção teria subido de R$ 17.989 para R$ 22.487 de rendimentos anuais.  Nada mais enganoso. Na prática, essa isenção para quem ganha até R$ 22.487 já acontecia, em virtude do desconto padrão de 20%.

Quando o governo anuncia oficialmente, na verdade só está regulamentando o que já acontecia. Com isso, pretende evitar que quem ganha menos (e já estava isento) faça a declaração. O que a Receita quer é diminuir a quantidade de declarações do IR desnecessárias e que não tinham direito a restituição.

É uma medida para diminuir o tráfego de declarações. Só.

Para saber mais sobre a atualização da tabela, clique aqui.

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