Vaccarezza amarelou na Veja

O deputado Cândido Vaccarezza deu uma entrevista à revista Veja e disse que a pauta sindical tem de mudar. Para nós, quem tem de mudar é o Vaccarezza.

A Executiva Nacional da CUT, que se reúne amanhã em São Paulo, vai refletir sobre a entrevista e deve se pronunciar oficialmente sobre seu conteúdo.

Mas algumas considerações já são possíveis.

O deputado disse que o movimento sindical é contra qualquer mudança. De que mundo veio o Vaccarezza? O movimento sindical, especialmente a CUT, já deu numerosas demonstrações de sua capacidade propositiva para mudar a realidade e as relações a seu redor. Crédito consignado, política de valorização do salário mínimo e agenda positiva no combate à crise são alguns exemplos mais recentes.

E nunca tivemos medo de debater mudanças. Continuamos defendendo a reforma sindical – organização por local de trabalho, convenção 87 e fim do imposto sindical – para que se possa, depois, alterar a legislação trabalhista.

E atenção Vaccarezza: a reforma sindical está parada na Câmara dos Deputados desde 2005.

Como o próprio Vaccarezza disse na entrevista: a Câmara não pode ser um obstáculo às mudanças.

Ele também criticou a multa de 40% na rescisão contratual, indicando-a como custo impeditivo à formalidade no mercado de trabalho.

Quer discutir isso, especialmente na condição de deputado? Vamos lá: pressione o Congresso para apreciar e aprovar a ratificação da Convenção 158 da OIT, que tramita por lá desde fevereiro de 2008.

A 158 colocaria rédeas na absurdamente alta rotatividade que existe no mercado de trabalho brasileiro – e que a multa de 40%, em tese, deveria conter.

Nosso nobre parlamentar também critica as contribuições ao INSS e as classifica como “custos” abusivos para o empresariado.

Nós não. Sugerimos a leitura da Constituição no capítulo que fala de seguridade social. Conquista do povo, instrumento de justiça – vejam só a falta que um sistema semelhante está fazendo nos EUA – a seguridade social não é custo. Aliás, a importância da seguridade no combate à miséria foi um ponto crucial durante o processo eleitoral.

Mesmo assim, se queremos desonerar a folha de pagamentos, por que não passar a cobrar a contribuição para o INSS sobre o faturamento das empresas? Incentivaríamos as atividades que mais empregam e ainda manteríamos o financiamento do sistema.

E, naquilo que mais parece uma tentativa de minimizar a importância do tema em questão, a reforma trabalhista, o deputado cita bizonhices como a obrigatoriedade de existir banquinhos para os funcionários de lojas ou a exigência de pé direito de três metros no ambiente de trabalho como provas da obsolescência da CLT.

Ele deve saber que a luta e o processo histórico fazem a legislação. Temas como o banquinho e o pé direito estão superados e a existência deles na CLT pouco importa. Se é para mudar essas coisas, nem precisava ter dado a entrevista. O que ele não falou, e que está por trás da proposta, é o que nos preocupa.

Vaccarezza discorre também sobre Previdência, e chega ao absurdo de defender a existência de idade mínima para aposentadoria. É preciso lembrar ao prezado deputado que, num país onde a maioria das pessoas começa a trabalhar muito cedo, a exigência de idade mínima seria uma injustiça.

Como deputado ele deve se lembrar que foram seus colegas que não levaram adiante a proposta de superação do fator previdenciário através da fórmula 85/95 – um projeto feito em conjunto com a maioria das centrais e que, entre outros méritos, pensa o financiamento futuro da Previdência com muita responsabilidade.

O projeto está parado na Câmara.

Há outros projetos de mudança parados no parlamento. A regulamentação da terceirização é um deles. A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais é outro. A PEC contra o trabalho escravo também está na lista dos projetos à espera de votação no Congresso.

Enfim, a Câmara não pode ser obstáculo para as mudanças. Muda, Vaccarezza!

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26 Comentários

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26 Respostas para “Vaccarezza amarelou na Veja

  1. Olha. Hoje eu entendo por que o PT de SP.não ganha uma. Quer ser genérico do PSDB. E apopulação fica com o original. Ficam defendendo OS, PPP, mas não dizem com administração de quem, FPP. e pau no funcionalismo. O Palocci acovardou-se como de costume e retirou das discussão do Pr-e-sal a contribuição para a previdencia do Funciolaismo. Como se o Governo Federal, Estados e municípios tem condições de pagar o pessoal que vai aposentar-se nos próximos 10 anos.
    Vamos fazer a disputa com esses caras dentro do PT, participando e provocando debates e mobilizando para os encontros.

  2. Pingback: Vacarezza amarelou na Veja! « Blog do Tiago Ventura

  3. Zhamara

    Muito bom o texto! A entrevista do nobre deputado mostra seu alinhamento com a classe empresarial e não com os trabalhadores. Afinal, em que partido ele acha que está? E será o próximo presidente da Câmara. Salve-se quem puder!

  4. Armando do Prado

    Realmente, tem certos reizinhos mais realistas que o rei. É o resultado do convívio com banqueiros e a turma do Jobim, et caterva.

  5. Lizete Teles de Menezes

    Vacarezza perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Decadente, o nobre deputado cada vez mais inclina-se para a direita. Afinal, ele está mostrando sua cara e de lado está. E o PT ainda dá voz a esses brucutus, logo na democrática revista Veja. Se assunte, deputado, respeite os trabalhadores. Vamos ver o que CUT vai dizer, Será muito interessante observar a reação das centrais. Vamos ver o que, principalmente, a CUT vai dizer,

  6. Trindade

    Lamentável mas Vacarezza não sabe o que é a vida do assalariado; que bate cartão, veste macacão, sobe em escada, faz serviços de risco e perigosos e ainda por cima tiram-lhe o direito a aposentadoria especial.

  7. Marcelo Bastos

    Lamentável a entrevista de Vacarezza a Veja. Aliás, dar entrevista para a Veja já seria lamentável.

    E parabéns pela coragem e lucidez deste texto. É o que se espera de um Presidente da CUT.

  8. Pingback: Vaccarezza (PT) amarelou na Veja. « Blog do murilopohl

  9. Tita Dias

    Vacarezza se supera a cada dia. Mas, o que eu quero mesmo é dialogar com o Arthur. Depois de anos no sindicalismo bancário, hoje sou empresária numa pequena empresa enquadrada no regime do SIMPLES NACIONAL. Quero meter o bedelho nessa conversa. O recolhimento do INSS já é com base no fatuamento – como sugerido pelo Artur – para as empresas do SIMPLES. Eu só não entendi o que o Artur quis dizer com “Incentivaríamos as atividades que mais empregam e ainda manteríamos o financiamento do sistema”… Quem mais empregam são as pequenas e médias empresas. Não sei se na tabela do SIMPLES o percentual aplicado sobre o faturamento é um só. Acho é que um só (4%). Em todo o caso, isso pouco importa. O que importa é que assim cobrado o recolhimento ele não é limitador para o empresário contratar mais funcionários. Ou seja, tanto faz ter 10, 20 ou 100 empregados que o recolhimento do INSS é o mesmo. Então, assim, ele deixa de ser um peso DA folha de pagamento (que é o que mais pesa). FGTSnão pesa.
    Já a multa dos 40% sobre os depósitos do FGTS eu não concordo hoje em dia. Pode até me faltar o conhecimento do Artur para falar hoje, em 2o10, sobre esse assunto. Mas, não acredito que essa multa impeça a rotatividade. Quer saber? Para empresas pequenas ela provoca o oposto: a nenessidade de demissão, pois o passivo trabalhista se torna um fardo enorme ao se manter empregados por anos e anos. Sinto que é um temor para pequenos empresários o “tamanho” dessa multa com o passar de tantos anos. Melhor demitir de tempos em tempos para não pesar tanto. É o que eu vejo no meu meio. Esse é o temor, que provoca justamente efeito ao contrário do pretendido. Não vejo onde a multa seja impecílio para a demissão. Por outro lado ela é um pesadelo quando o funcionário começa a ficar “velho de casa”. Sabe, asim? quanto mais alto, maior o tombo. Essa é a minha impressão das pequenas e médias empresas. Mas, não são elas que mais empregam nesse país? Mas, como eu disse, é só uma impressão desses 6 anos vivendo no meio dessas preocupações empresarias. No ano passado, por motivos de força maior, tive que demitir o conjunto dos funcionários (na separação da matriz e filial), para recontratá-los todos em nova empresa. E deu pra ver o tamanho da encrenca que foi pagar essa multa para uma folha de pagamento com funcionários antigos, onde em 10 anos de atividade, o funcionário mais novo tinha 6 anos de casa. A maioria com 10, 8 anos. A partir daí entendi o “medo” do passivo de funcionários antigos
    falado por empresários. Alguns demitem de tempos e tempos seus funcionários, e recontratam depois, só para não acumular. Pode? E o sindicato dos trabalhadores, visando protegê-los, ainda cria uma série de “benefícios” como aviso prévio dobrado para funcionários com mais de 5 anos de casa, abono antiguidade que obriga o pagamento de um tanto por ano de serviço ao demitido… enfim, são tantas as proteções que viram um peso para pequenas empresas, onde o melhor seria manter funcionários por muitos e muitos anos. Concluindo: minha dúvida é quanto a eficiência dessas medidas protecionistas do emprego, como a multa sobre o depósito do FGTS (multa de 52%, e não 40% que é apenas a parte que vai para o trabalhador).

    • Tita, tudo bem?

      Sobre a multa, concordo com você de que não serve para inibir a alta rotatividade, basta ver os números do mercado de trabalho. O que nós defendemos é que não se pode simplesmente suprimir um instrumento sem que se pense, antes, numa alternativa mais avançada e que eleve o patamar de direitos trabalhistas. Neste caso em particular, achamos que a ratificação da convenção 158 da OIT, que inibe a alta rotatividade, seria uma boa saída para todos.

      Sugiro a leitura de um texto que escrevi para a revista Teoria & Debate. Clique aqui

  10. É POR “BIZONHICES” como as desse “parlamentar” do PT – o partido ao qual sou filiado como cidadão – que nunca confundo o meu mandato sindical com as discussões partidárias. Esse deputado só falou m… para aquela revista de m… e é por isso que estou com a minha Central – CUT – nós vamos pra cima do governo da Dilma para lutar pelos direitos da classe trabalhadora! William Mendes, Contraf-CUT.

  11. Nelson Canesin

    Vacarezza já começa mal pela revista. Dar entrevista para esse panfleto da direita ja é demais. E pior, falou tudinho aquilo que a revista Veja queria. Um alinhamento perfeito. Se o PT quer ter um presidente da Câmara deve começar indicando quem reflita as posições do partido para dar entrevistas, e não quem defende posições pessoais (ou sabe-se lá de quem). Aliás, seria saudável que a CUT fizesse um apelo a seus milhares de sindicatos que cancelassem a assinatura da Veja e substituissem pela Carta Capital, seria muito mais saudável.

  12. Maria Maeno

    Excelente, Artur!!! Queremos a CUT altiva na defesa dos direitos dos trabalhadores!

  13. Pela publicação que acabo de ler hoje dia 10/12/2010, causa estranheza por parte de um dirigente sindical querer interferir em questões partidárias. Os dirigentes sindicais deveriam ficar menos nos gabinetes parlamentares e fortalecer a CUT combativa e a luta dos trabalhadores. Mais estranheza é a publicação do artigo do dirigente sindical no site da própria CUT, afirmando que hoje iria chamar uma reunião para se posicionar. Porque não se reuniram 1º antes de colocar um artigo no ar. Ainda mais, a CUT que nasceu da costela da militância do PT, causa estranheza. Ventilar tal artigo sem ninguém saber!
    Ele não amarelou, a Veja sim desde sua fundação!Aqui na Zona Leste de São Paulo o Vaccarezza é bem vermelho, atuante, solidário nas lutas, um cidadão e dirigente político de palavra.
    Devemos ocupar os espaços que se abrem, como este na imprensa. Vamos falar sim na Veja, por que não? A Veja em quase sua totalidade das capas e conteúdos são contra o PT, governo Lula,…
    Na democracia deve-se respeitar posições contrarias e lutar por suas posições “sem perder a ternura jamais”.
    Ora, falar de bandeiras de luta, o Vaccarezza saiu do nordeste no final da década de 70(em pleno regime militar) vindo para São Paulo ser solidário e atuante em várias lutas que não preciso apontar neste momento, sendo fundador do PT, ajudou na fundação da CUT como membro do PT, e tantas outras lutas. É muito triste ver um artigo com essa abordagem e deselegância.
    Devemos lutar sempre pela liberdade de imprensa é um pilar da democracia.
    Saudações socialistas e petistas,
    Denis Libanio
    DZ PT –Tatuapé e fui militante voluntário de várias campanhas da CUT em vários sindicatos de SP.

    Denis Libanio
    denislibanio@yahoo.com.br

    • Companheiro Libanio, o problema aqui não é dar ou não entrevista à Veja. Porém, defender com tanta ênfase, como ele fez, que deve-se mexer na CLT sem considerar que a correlação de forças no Congresso é desfavorável e de que é necessário antes aprovar a reforma sindical (para fortalecer nossa intervenção num processo de reforma de outras leis) nos parece inadequado.

      Saudações socialistas e petistas

  14. Tita Dias

    por que meu comentário não foi publicado?

  15. O Dep. Vaccarezza sempre esteve ao lado do trabalhador. Atuou na UNE, na CUT e como militante do PT sempre lutou por bandeiras trabalhistas. O fato dele ter dado uma entrevista pra VEJA, só mostra seu caráter. Ele não fugiu e nem amarelou como foi citado infelizmente por alguém que tomou as dores indevidas e distorceu de fato as informações coerentes citadas pelo nobre Deputado.
    A CUT tem é que se preocupar em defender os interesses dos trabalhadores informais, aqueles que vivem na marginalidade.É preciso sim adaptar a CLT para as novas realidades trabalhistas, como o serviço terceirizado.
    A CUT ao invés de criticar, precisa ajudar a criar os mecanismos para favorecer estes trabalhadores informais, que tem seus direitos ignorados.
    Vale ressaltar que o Deputado Vaccarezza sempre foi fiel aos interesses do Governo Lula e ao Governo Dilma, ele luta e defende os interesses do trabalhador, é só ver sua lei que beneficia o trabalhador Estudante.
    Saudações

  16. Pingback: Deu no IG: resistência da CUT barra Vaccarezza | Blog do Artur Henrique

  17. Arlindo Belo

    Eu quero dizer bem alto que o vacarezza esta claro em seus pronunciamentos e que o movimento sindical e os trabalhadores em Geral independente de ser CUT ou não, o Vacarezza esta infiltrado dentro do PT fazendo papel dos patrões descaradamente e a muito tempo,agora culpa é dos trabalhadores que o elegeu para cumpri este papel ridículo em nome de todas classe trabalhadora

  18. CUT REGIONAL ZONA DA MATA

    Companheira Kátia,
    Com certeza, Vaccarezza tem história no partido, assim como tinha Helio Bicudo. Mas seu proposito de atacar a classe trabalhadora já vem ocorrendo desde o PL 1987/2007.
    Temos que avançar sempre nos direitos trabalhistas. Na atual conjuntura, de crise do capitalismo, um deputado do PT propor retirada de direitos, é o fim!
    Com certeza, a Fiesp também concorda com ele.
    Eu concordo com o Artur e acho que a CUT deve chamá-lo novamente para dar outra bombardeada nele.
    Parabéns Artur! Vamos à luta! Essa política do Vaccarezza, como você disse, foi derrotada nas urnas.
    Péricles de Lima

  19. Nilton Freitas

    Excelente manifestação Artur. Ponto a ponto.

  20. MARCELO CHAGAS

    LAMENTÁVEL! O Partido dos Trabalhadores não merece ter em seus quadros parlamentares como o senhor Vacarezza. Sou do Estado de São Paulo e me sinto no dever de pedir desculpas, mais uma vez, para o Brasil, pois o poder de alguns “iluminados” das bandas de cá adota posições que seriam cômicas se não fossem trágicas.
    Em que pese essa tragédia ideológica protagonizada por esta figura -que, infelizmente, abusa de um mandato que só foi conquistado pelo respeito que a população nutre pelo PT (portanto, é nosso), fico muitíssimo satisfeito quando vejo o presidente da CUT Nacional adotar uma postura alinhada com a classe trabalhadora, com um texto direto e que reflete a realidade política-sindical deste país. Um bela resposta para uma bela lambança!!!

  21. Valter Santos

    Parabens para a CUT e indgnação para êsse deputado fantasiado de pôvo porém, na realidade êle é dos patrões. TRABALHADORES que votam nêsse deputado, tomem suas posições de trabalhadores e não votem mais nêsse senhor pois se êle é pelos patrões, os patrões que o elejam com os eus votos já está na hora do trabalhador tomar vergonha na cara.

  22. Santos Bispo de Oliveira

    Parabéns Artur,
    A CUT precisa de adotar posicionamentos como esse que o Sr. está adotando. Precisamos sim alertar o trabalhador a respeito de políticos como esse. Aliás os patrões, se elegerem um político e perceberem desvio nele, o ao mar revolto. Eles inflam e esvaziam políticos conforme os seus interesses. Nós trabalhadores precisamos fazer o mesmo. Os trabalhadores de São Paulo devem fazer o mesmo em relação ao senhor Vaccarezza. Empacota-o e o entrega a FIESP. Mandou bem, companheiro!

  23. Santos Bispo de Oliveira

    Na verdade quis dizer: “Aliás os patrões, se elegerem um político e perceberem desvio nele, atira-o ao mar revolto.”

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