Imposto de Renda: equipe econômica erra ao não negociar mudanças com o movimento sindical

Li pela imprensa que a equipe econômica do futuro governo não pretende atualizar a tabela do imposto de renda.

É um erro. O movimento sindical tem essa reivindicação, apresentou-a a alguns ministros e lembra que, desde 2006, sempre como resultado de negociação com as centrais, a tabela do IR vem sendo atualizada em janeiro, aumentando a faixa de isenção e reduzindo os percentuais para parte significativa dos assalariados.

A atualização sempre se deu, nesse período, com a retirada de 4,5% das faixas de cobrança – percentual que corresponde ao centro da meta de inflação estipulada pelo governo.

A atualização é pouco diante do desafio de mudar a estrutura tributária brasileira, altamente regressiva – quem ganha menos paga mais, como todos sabem. Mas, ainda que tímida, a atualização fazia um pouco de justiça e apontava, politicamente, para mudanças mais ousadas.

Ficar sem nenhuma medida é ruim demais.

Ainda no noticiário, vimos que teria havido uma mudança, sim. A faixa de isenção teria subido de R$ 17.989 para R$ 22.487 de rendimentos anuais.  Nada mais enganoso. Na prática, essa isenção para quem ganha até R$ 22.487 já acontecia, em virtude do desconto padrão de 20%.

Quando o governo anuncia oficialmente, na verdade só está regulamentando o que já acontecia. Com isso, pretende evitar que quem ganha menos (e já estava isento) faça a declaração. O que a Receita quer é diminuir a quantidade de declarações do IR desnecessárias e que não tinham direito a restituição.

É uma medida para diminuir o tráfego de declarações. Só.

Para saber mais sobre a atualização da tabela, clique aqui.

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1 comentário

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Uma resposta para “Imposto de Renda: equipe econômica erra ao não negociar mudanças com o movimento sindical

  1. A burguesia deste pais e altamente cínica. Os pobres é quem pagam impostos à rodo. Os ricos pagam cada dia menos. A reforma tributária é e fundamental importância, hoje o partido dos trabalhadores e os aliados detem ampla maioria na câmara e no senado. As reformas só não ocorrerão se Dilma não aceitar ou não entender o que está em jogo.
    De nossa parte temos que fazer o de sempre, mobilizar e presionar.
    É gente, mais um ano qu se vai, e os políticos não mudam, se auto conceder este aumento é vergonhoso ao excesso.

    Mesmo assim,

    Feliz natal para todos!!!

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