“Desde 1888 que eu tento ser trabalhador neste país”, desabafa o cineasta negro Zózimo BulBul

“Desde 1888 que eu estou querendo ser trabalhador neste País”, desabafou ontem o cineasta Zózimo BulBul, militante negro, durante cerimônia de lançamento das celebrações do 1º de Maio da CUT, que este ano tem como tema “Brasil-África: Fortalecendo as Lutas da Classe Trabalhadora”.

Assim, ele sintetizava todas as dificuldades que enfrentou por ser negro (ou “africano nascido no Brasil”, como se definiu) e ousar querer construir mais do que aquilo que o conservadorismo julgava caber-lhe na sociedade.

Aos 74 anos, Zózimo continua fazendo filmes. Apresentou ontem à noite, no auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo, um de seus mais recentes, “Renascimento Africano”.

“Eu precisei sair do Brasil para conhecer a minha história, para entender minhas raízes”, comentou, em referência às vezes que se ausentou do país, especialmente durante a ditadura militar, entre os anos 1970 e 74, quando entrou em contato com uma nova forma de ver a negritude. Antes, o ambiente de racismo o impedia de enxergar a riqueza e a beleza da cultura e história africanas.

Não bastasse o depoimento emocionado, a menção a Zózimo também guarda relação com revelações feitas hoje pela Folha, na coluna de Mônica Bérgamo, de cartas em que Monteiro Lobato elogiava a Ku Klux Khan – organização de ultradireita estadunidense que prega morte aos negros.

Zózimo fala em encontro promovido pela CUT. Foto de Parizotti

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