Arquivo do mês: maio 2011

De 1855 ameaças de morte a camponeses denunciadas pela CPT em 10 anos, 52 foram levadas a cabo

A Comissão Pastoral da Terra distribuiu hoje relatório em que relata que, de 1855 ameaças de morte a líderes camponeses denunciadas desde o ano 2000 até 2010, 52 foram concretizadas. Outras 30 lideranças camponesas sofreram atentados.

Leia texto a respeito no UOL, clicando aqui.

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Em Três Lagoas (MS), trabalhadores organizados resistem ao “terrorismo” da inflação e arrancam reajuste de 26%

Numa evidência de que os trabalhadores da base da CUT não pretendem se deixar intimidar pelo discurso de que aumento salarial causa inflação, os funcionários de empresas terceirizadas da Petrobrás responsáveis pela ampliação da Usina Termoelétrica Luis Carlos Prestes, em Três Lagoas (MS), fizeram greve e conquistaram reajuste de 26%, além de aumento no valor da cesta básica e outras conquistas.

A notícia foi veiculada hoje em texto de William Pedreira, na página da CUT. Leia mais clicando aqui.

Dessa forma, vamos consolidando nossa disposição de não cair no discurso terrorista do setor financeiro e de parte de mídia que, ao longo dos dois últimos meses, sugeriram várias vezes que os trabalhadores não deveriam pedir aumento para não contribuir com o descontrole inflacionário no Brasil.

Saiba mais sobre a questão salários versus inflação clicando aqui.

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FHC, a maconha e a estratégia para fazer do tucano um “trend topic”

No post que coloquei aqui há algumas horas – antes das 14h, horário em que o twitter costuma fazer barulho – eu dizia que ontem havia observado a gênese de uma ação coordenada para fazer o FHC virar “trend topic”.

Quando fiz o primeiro post sobre o assunto, a tentativa de fazer o FHC “bombar” nas redes sociais ainda não havia dado resultado.

Depois das 14h, o quadro mudou. FHC e maconha passaram a constar entre os assuntos mais vistos no twitter em São Paulo.

Então, minha observação estava certa. Uma ação coordenada entre Luciano Huck, Folha, Veja e Globo queria colocar o ex-presidente tucano na vitrine, acompanhado de um tema caro à classe média e com grandes chances de disputar as redes sociais.

Entenda como fizeram isso lendo o post anterior, logo abaixo, ou clicando aqui.

Confira comentário enviado para este blog:

cilmara bedaque

maio 30, 2011 às 3:00 pm

esta estrategia foi montada e dará resulytados em jovens despolitizados de são paulo. às 14 hs, nos TTs de SP #FHC já está no top ten juntamente com #THC e #maconha.

p.s.: por volta de 17h30, o “trend” ligado a FHC já havia deixado a lista dos mais concorridos.

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Luciano Huck, Folha, Globo e Veja tentam transformar FHC em “trend topic”

Arrisco-me a dizer que neste último domingo houve um ensaio para transformar o ex-presidente FHC em um dos assuntos mais comentados na internet brasileira, via twitter e blogs.

Se a análise estiver correta, o episódio pode servir de exemplo de uma das maneiras como se pode dar a gênese de um “trend topic” – assunto que é tendência na web, popularmente conhecido como assunto que “bomba”.

Mas não deu certo até agora, apesar da ajuda dos meios tradicionais de comunicação (p.s.: este post foi escrito antes das 13h).

Na edição da Folha de ontem, no caderno Ilustrada, a capa traz uma reportagem sobre o documentário “Quebrando o Tabu”, produzido por Luciano Huck e dirigido por seu meio-irmão Fernando Grostein Andrade, em que a estrela é o ex-presidente FHC e a coadjuvante é a droga.

No filme, que vai ser lançado em circuito comercial, FHC roda vários países para conferir como é a relação dos estados nacionais com o consumo e o tráfico de drogas – imaginem FHC num coffee shop em Amsterdã.

Huck e o diretor, através de leis de incentivo à cultura, arrecadaram R$ 2,4 milhões para financiar a produção, mais do que um filme como “Cartola” que, segundo a Folha, arrecadou R$ 1,33 milhão.

Na página seguinte do mesmo caderno da Folha, FHC, estrela do filme, surge como um homem antenado no seu tempo, defendendo a descriminalização das drogas e que o consumo seja tratado como questão de saúde pública, e não como caso de polícia. O ex-presidente concede até mesmo a possibilidade de as pessoas plantarem maconha em casa como alternativa ao tráfico.

FHC discorre sobre o tema em entrevista à colunista Mônica Bérgamo. A entrevista é boa, e o ex-presidente faz declarações lúcidas, que o aproximam em parte, neste tema, de parcelas importantes do pensamento progressista.

“Quando eu digo descriminalizar, eu defendo que o consumo não seja mais considerado um crime, que o usuário não passe mais pela polícia, pelo Judiciário e pela cadeia. Mas a sociedade pode manter penas que induzam a pessoa a sair das drogas, frequentando o hospital durante um período, por exemplo, ou fazendo trabalho comunitário. Descriminalizar não é despenalizar. Nem legalizar, dar o direito de se consumir drogas”, disse FHC na entrevista.

O tucano argumenta também, em outro momento da entrevista, que a institucionalização de espaços para o consumo da droga poderia ajudar a combater a epidemia de drogas como o crack. “Em SP, na cracolândia, o pessoal se droga na rua, à vontade. É melhor se drogar na rua ou ter um local específico? Isso não é liberar, é tratar como saúde pública”, comenta.

Porém, nosso objetivo principal aqui não é debater o tráfico e o consumo de drogas nem a posição de FHC sobre o assunto, e sim analisar o que pode ter sido uma tentativa de colocar o ex-presidente, nesta segunda e nos dias subsequentes, em evidência na internet.

Tentativa que, se tivesse dado certo desta vez, atenderia recomendação do próprio FHC ao PSDB, a de disputar a opinião da classe média através das redes sociais.

No mesmo domingo, o blogueiro Reinaldo Azevedo, hospedado na página da revista Veja, vociferava. “A petralhada está enchendo o meu saco”, escreveu, logo na abertura de texto em que insinuava que uma multidão de petistas estaria cobrando dele, naquele momento, um posicionamento a respeito das opiniões de FHC. Opiniões que estariam à esquerda do pensamento do próprio Reinaldo, reconhecido conservador e defensor ferrenho do ex-presidente tucano.

“A partir de amanhã e por uns bons dias, o Brasil terá um novo assunto: a descriminação das drogas, da maconha em particular”, profetizava, em outro trecho de seu post, o articulista da Veja. Ele certamente apostava que o assunto tomaria a rede, e para ajudar nisso, simulava chamar os “petralhas” para briga e assim, atear fogo na discussão.

Nada disso ocorreu. Até a manhã desta segunda, quase meio-dia, apenas 181 pessoas haviam comentado o texto de Reinaldo no próprio blog dele.

No mesmo horário, o “trend topic” #maconha estava no ar, mas sem nenhuma menção a FHC. Muito provavelmente, maconha era um dos temas que lideravam a corrida nas redes sociais hoje em função do longo debate sobre o tema e de eventos como a Marcha da Maconha, tratada a cassetetes e e gás de pimenta pela polícia do PSDB, em São Paulo. O tucano não capitalizou o tema nas redes sociais.

Nem mesmo a ajuda do Fantástico de ontem, que também tratou do tema e exibiu entrevista com FHC, fez a imagem do presidente colar no assunto. Pelo menos por enquanto.

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56 deputados e senadores – ou suas famílias – são donos de emissoras de rádio e TV. Conflito de interesse é isso aí

Pelas regras atuais, cabe ao Congresso analisar e aprovar a concessão pública de emissoras de rádio e TV. Muitos desses parlamentares hoje em exercício de mandato têm suas próprias concessões, o que configura um flagrante conflito de interesses e um claro desrespeito à opinião pública.

Afinal, como alguém a quem cabe decidir quem pode ou não receber o direito de explorar comercialmente uma emissora pode, ao mesmo tempo, ser dono de uma ou mais de uma?

Não que seja esse o único – e escandaloso – conflito de interesse entre a função pública e os interesses privados existente no Brasil.

Ex-ministros podem prestar consultoria empresarial, deputados podem abrir empresas de aconselhamento, parlamentares que também são proprietários de escolas privadas ou de planos de saúde podem votar temas como saúde e educação públicas, entre outros casos.

Quanto às concessões públicas de TV, é urgente proibir que políticos em exercício de mandato tenham emissoras e também é necessário que as concessões sejam revistas periodicamente, como prevê a Constituição. Essas duas medidas foram, entre outras, aprovadas pela 1ª Conferência Nacional de Comunicação, em 2009. Continuamos reivindicando que as decisões da Conferência componham o necessário novo marco regulatório do setor. Muita coisa precisa ser feita para mudar o Brasil para melhor. Certamente, a democratização da comunicação é uma das medidas imprescindíveis para tanto.

A informação de que há 56 parlamentares donos de emissoras foi veiculada pela Folha de S. Paulo, edição de ontem (29).

p.s.: O Rodrigo Vianna, em seu Escrevinhador, questiona, sobre o mesmo assunto: cadê o Aécio Neves na relação de parlamentares proprietários de emissoras? Atento, o jornalista destaca que a Folha de S. Paulo, “seletivamente”, esquecer de citar o cacique tucano. Leia o post do Rodrigo clicando aqui.

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Junto com Lula, movimentos sociais vão realizar plenária para fazer deslanchar a reforma política

As centrais sindicais e o ex-presidente Lula, reunidos na manhã desta sexta na sede do Instituto Cidadania, decidiram organizar uma plenária nacional dos movimentos sociais para elaborar propostas para a reforma política. Os partidos de esquerda também serão convidados.

O Instituto Cidadania estará à frente da organização. O objetivo é reunir um grande número de militantes na plenária e fazer o processo de reforma política deslanchar, com propostas que interessam aos movimentos sociais.

O mais importante é que a plenária nos unifique em torno do tema e seja um impulso para uma mobilização constante. Precisamos incluir a reforma política na agenda sindical e debatê-lo junto às bases. O assunto tem de ser popularizado, tornar-se um movimento, para que as propostas de mudança não sejam cosméticas ou prejudiciais aos trabalhadores.

Lula expressou no encontro de hoje a opinião de que o cerne da reforma deve ser o fortalecimento dos partidos políticos e da democracia e o combate à influência do poder econômico.

Partiu dele a ideia de realizar a plenária. A data ainda será definida.

A CUT apresentou, durante o encontro, os principais pontos que defendemos para uma reforma, todos debatidos durante nosso recente seminário sobre o tema:

– voto em lista

-financiamento público de campanha e fidelidade partidária

– garantir proporcionalidade de fato

– democratização das relações de trabalho, o que inclui a ratificação da Convenção 87 da OIT (que garante liberdade e autonomia sindical)

– redefinir o papel do Senado, hoje uma casa revisora (o que na nossa opinião é ruim, pois tolhe a ação da Câmara dos Deputados, e em grande parte das vezes pelo viés conservador)

– regulamentação do artigo 14 da Constituição, aquele que prevê instrumentos de democracia direta como referendos e plebiscitos.

Encontro no Instituto da Cidadania. Luiz Dulci também estava lá. Foto de Parizotti

A Central também lembrou a necessidade de democratizar os meios de comunicação e o poder Judiciário, dois fortes instrumentos de ação política sem voto. O tema já havia sido abordado, durante a reunião, pelo presidente da CGTB, Antonio Neto.

Apesar do que ocorreu durante o encontro – ao qual os jornalistas não tiveram acesso – os portais de notícia na internet preferiram dar destaque a outra notícia: a de que Lula teria defendido uma Constituinte exclusiva, em 2014, para debater o tema.

Enfoque errado. O que Lula defendeu em primeiro lugar, e com isso temos acordo, é de que a mobilização das entidades populares deve se dar desde já para que a reforma saia ainda este ano.

Num determinado momento da reunião, que durou duas horas, Lula comentou muito rapidamente que, caso a reforma não saia este ano, uma alternativa seria uma Constituinte exclusiva. Um comentário que não indica preferência ou decisão tomada.

Porém, mal informada por algum dirigente que participou da reunião, a imprensa escolheu este enfoque para tentar demonstrar que nós já teríamos, de saída, desistido da reforma ainda este ano.

Participaram da reunião, pela CUT, seu presidente, o secretário-geral Quintino Severo e o secretário de Administração e Finanças, Vagner Freitas.

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Reforma política tem de aprovar lista fechada e financiamento público de campanha

Uma das principais conclusões tiradas do seminário sobre reforma política que a CUT realizou na terceira semana de maio, em São Paulo, é de que as entidades filiadas à Central devem incluir o tema da reforma nos debates que fazem em assembleias, nos locais de trabalho, em seus jornais e todos seus veículos de comunicação.

Afinal, a reforma política vai afetar diretamente a vida de todos os trabalhadores. Portanto, é preciso debater e divulgar as propostas que a Central vem construindo ao longo de atividades como o seminário.

Algumas dessas propostas já estão bem definidas.

A primeira delas é que as candidaturas a cargos parlamentares devem ser definidas em lista. Em minha opinião e na de muitos companheiros com que venho debatendo, essa lista deve ser fechada. Os partidos escolhem quais os candidatos devem fazer parte dessa lista e o eleitor vota no partido, em vez de numa pessoa.

Isso acabaria com o personalismo e a despolitização das campanhas políticas – onde um famoso tem grandes chances de ser eleito, mesmo que sem aptidão ou experiência na política.

Segundo avaliação dos participantes do seminário, que reuniu dirigentes sindicais de todos os ramos, além de políticos e professores, o grande desafio da proposta de lista é garantir que os partidos tenham democracia interna, com ampla participação da militância, para que a lista não seja obra de um pequeno grupo dentro da organização.

Porém, alertam os debatedores que participaram do seminário, é importante lembrar que as listas dos candidatos atualmente já é definida, de fato, por elites econômicas ou partidárias. Isso porque os grandes empresários escolhem os candidatos para os quais vão doar dinheiro para a campanha e, como se sabe, quanto mais verbas, mais chances de ganhar.

Ainda sobre a lista de candidatos, outro alerta: a legislação deve obrigar os partidos a explicarem quais os critérios usados para definir os candidatos. As candidaturas femininas foram escolhidas em mesmo número que as masculinas? Os negros estão representados? Os jovens? Os índios foram considerados? Quantos militantes participaram da convenção partidária que definiu a lista?

Seminário promovido pela CUT. Foto de Parizotti

Essas informações, divulgadas amplamente, ajudariam os eleitores saber qual o partido com que têm maior afinidade.

Outra proposta para a reforma política que ganha cada vez mais adesões no interior da CUT é o financiamento público de campanha. Dinheiro público extra só para as campanhas, jamais para os partidos – que devem seguir financiados principalmente pelos filiados (e o fundo partidário, deveria continuar em que termos? Haverá limite para doações de filiados – imagine a doação de um filiado que também é um grande magnata do sistema financeiro?).

E, ainda no quesito dinheiro privado, quanto mais, mais as chances de corrupção no processo. Os debatedores do seminário foram unânimes em dizer que, se o Estado definir um total de verbas – que seria distribuído proporcionalmente aos partidos – e o financiamento privado sair de cena, vai sobrar muito mais dinheiro para o Estado investir em hospitais, escolas, salários de professores e em segurança, ao contrário do que muitos pensam.

Porque, livres das amarras de seus financiadores privados e dos conflitos de interesses, os eleitos teriam menos espaço para usar seus mandatos em benefício deste ou daquele grupo, daquela ou outra empreiteira.

São dois pilares da reforma política que interessam à classe trabalhadora. Há outras, como a redefinição do papel do Senado e a garantia de real proporcionalidade – hoje, num sistema em que um estado com pequeno número de eleitores tem o mesmo número de senadores que um estado de grandes dimensões, essa proporcionalidade não existe.

O seminário gravado, e as principais passagens do debate serão divulgados em breve, através de nossas páginas de internet. O seminário, parte da Jornada pelo Desenvolvimento com Distribuição de Renda com Valorização do Trabalho, é o segundo da série. O primeiro tratou da reforma tributária.

Outra informação importante: o ex-presidente Lula, manifestamente a favor de se envolver na luta pela aprovação da reforma, tem encontro com a CUT e as centrais nesta sexta, dia 27, para definir ações conjuntas para atingir esse objetivo. O encontro acontece em São Paulo.

Participaram como convidados do seminário sobre reforma política promovido pela CUT (em ordem de fala): Yesko Quiroga, dirigente da FES (Fundação Friedrich Ebert), o professor da Universidade Federal Fluminense Marcus Ianoni, o relator da comissão especial que trata do tema, o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS), o presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda, o coordenador da Plataforma pela Reforma do Sistema Político, José Antonio Moroni, o sociólogo Emir Sader e o deputado estadual Raul Pont (PT-RS).

(p.s.: corrigi este post, pois em sua primeira versão, por um problema de edição, alguns leitores tiveram a sensação de que defendia o fim do fundo partidário.)

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