Direto do Canadá: Bons empregos. Vida Melhor. Os sindicatos fazem a diferença

Publicamos a seguir texto enviado por nosso companheiro e amigo deste blog Kjeld Jakobsen, em que relata congresso sindical que acompanhamos no Canadá e também comenta as perspectivas de luta do trabalhador naquele país, à luz de recente processo eleitoral vivido pelos canadenses.

Bons empregos. Vida Melhor. Os sindicatos fazem a diferença.

Esta foi a bandeira do 26º congresso do Canadian Labor Congress (CLC) realizado na cidade de Vancouver entre 9 e 13 de maio passado. Esta importante central sindical representa 3,2 milhões de trabalhadores sindicalizados em dezenas de sindicatos.

Alguns deles são “sindicatos internacionais” por representarem ao mesmo tempo trabalhadores nos EUA e no Canadá, o que tem origem nos primórdios da criação dos sindicatos norte-americanos, quando os organizadores não levavam em conta a longa fronteira existente entre os dois países ao sindicalizar os trabalhadores. Mesmo assim, posteriormente alguns sindicatos romperam com o lado estadunidense e criaram sindicatos exclusivamente canadenses como foi, principalmente, o caso do CAW (metalúrgicos) que se separou do UAW (United Auto Workers) que representa os trabalhadores do setor automotivo nos EUA. O líder da iniciativa foi Bob White, que presidiu o CAW nos primeiros anos e depois se tornou presidente da CLC até 1999, quando se aposentou como um dos grandes nomes do sindicalismo canadense e foi substituído pelo atual, que é Ken Georgetti.

O congresso deste ano foi assistido pelo presidente da CUT, Artur Henrique, um dos representantes das quatro centrais latinoamericanas que se fizeram presentes (CUT Colômbia, CTC de Cuba e FAT do México). A CAW tem relações muito estreitas com a CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos) da CUT, assim como a CLC tem com a nossa central sindical. Historicamente fizemos muitas coisas juntos no movimento sindical internacional como a atuação na ORIT (agora CSA) para arejar aquela organização e a criação da Aliança Social Continental (ASC) que começou a ser articulada em 1997 no Canadá pela CLC, CUT e ativistas sindicais mexicanos, incluindo a Frente Autentica Del Trabajo (FAT) para lutar contra a Alca, luta esta, vitoriosa.

Houve várias discussões importantes no congresso, como a intervenção do diretor de cinema Charles Ferguson, que recebeu este ano o Oscar pelo melhor documentário “Trabalho Interno” sobre a crise financeira que começou nos EUA em 2008. Ele reafirmou o que já havia dito na entrega do prêmio: “Nenhuma das pessoas que eu entrevistei e que foram responsáveis pela crise, foi presa e isto está errado!”

Outro debate importante, além da crise econômica, foi sobre os ataques para desmantelar o estado de bem estar social que no Canadá se assemelha muito ao modelo europeu. A preocupação é que esta ofensiva vai se fortalecer com a vitória eleitoral do Partido Conservador do Canadá (“Tories”) do Primeiro Ministro Steven Harper, obtida uma semana antes do congresso da CLC quando conquistou 167 das 308 cadeiras do parlamento.

O Canadá é uma “monarquia” parlamentar, pois apesar de não ter nenhuma influência sobre o país, ainda há um representante (governador geral) nomeado pela rainha da Inglaterra cujo papel é o de aceitar a renúncia ou a escolha do primeiro ministro. É na verdade uma federação de províncias muito descentralizada, pois elas têm muita autonomia para aprovar leis locais, inclusive sobre assuntos trabalhistas.

Harper foi eleito primeiro ministro em 2008, mas compunha um governo minoritário. Seu partido obteve então 143 cadeiras no parlamento, mas a soma dos demais partidos lhe impedia de aprovar leis mais draconianas. Agora é diferente, pois conduzirá um governo de maioria.

A boa surpresa nesta eleição foi o desempenho do NDP (“New Democratic Party”), o partido social-democrata do Canadá que é apoiado pela maioria dos sindicatos e que conquistou 102 cadeiras nesta eleição tornando-se a liderança da oposição ao governo. Seu líder, o deputado federal Jack Layton, discursou no congresso da CLC e é a grande esperança para que numa próxima eleição o NDP venha a governar o país com ele como primeiro ministro. Seria a primeira vez que o NDP, que acaba de cumprir 50 anos, chegaria a esta posição, embora tenha governado várias vezes diferentes províncias canadenses, onde promoveu uma série de leis de caráter social.

Os partidos derrotados nesta eleição foram o Liberal, que diversas vezes governou o Canadá, inclusive durante o mandato que venceu em 2008, e o “Bloco Quebequense”. A mensagem do eleitorado foi uma rejeição à política tradicional devido às ambigüidades dos liberais e no caso do partido Quebequense, pelo fato de os eleitores sentirem que teria abandonado sua vocação de luta pela independência desta província de idioma francês, “Quebec”, que motivou a sua conformação duas décadas atrás.

Oxalá esta mensagem possa mudar um pouco no futuro e incluir o Canadá no rol dos países do nosso hemisfério governados por partidos progressistas. Certamente, o combativo movimento sindical canadense fará a sua parte para que isso aconteça.

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