Confira o que a Folha não contou sobre as greves organizadas pela CUT neste ano

 

Texto publicado pelo jornal Folha de S. Paulo na segunda-feira, 10 de outubro, intitulado “Dilma muda relação com grevistas e irrita sindicatos” merece alguns comentários, por deixar algumas zonas cinzentas a tentar esconder suas verdadeiras intenções.

Uma das intenções do texto, que ficou clara tão logo os jornalistas procuraram a direção da CUT, era sustentar que Dilma se afasta do movimento sindical e que, sob seu governo, os sindicatos terão menos facilidades do que tiveram sob Lula – como se durante greves tivéssemos tido facilidades com o ex-presidente. Nada mais falso.

O texto da Folha faz parte da estratégia, já conhecida por todos que acompanham o noticiário político, de “descolar” Dilma daquilo que o PT e os movimentos sociais conseguiram consolidar durante o governo anterior e separar Dilma de Lula.

Porém, mais sub-repticiamente, parte da imprensa tenta agora construir explicações plausíveis para a reaproximação da cúpula da Força Sindical com o PSDB – cuja manobra mais visível e recente foi a presença de José Serra, sexta-feira passada, na sede daquela central. Esquiva-se de narrar que a Força, em sua trajetória errática, apoiou FHC e as reformas neoliberais e mesmo em 2006, depois de ter surfado no governo Lula, declarou apoio a Geraldo Alckmin nas eleições presidenciais daquele ano, para em seguida, ao notar a permanência e acertos de Lula, mudar de posição novamente.

Voltemos ao texto da Folha. Primeiro, a feitura da matéria. Os dois jornalistas que a assinam procuraram a CUT e entrevistaram o presidente da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), Carlos Cordeiro, o diretor executivo da CUT e coordenador do serviço público na Central, Pedro Armengol, e este presidente da CUT, Artur Henrique.

Foram municiados com vários dados que não foram usados na matéria. Pedro Armengol, por exemplo, fez uma retrospectiva das greves comandadas pela CUT no serviço público federal durante os oito anos de governo Lula. Armengol informou, com riqueza de detalhes, como foram duras as negociações não apenas para conquistar algumas das reivindicações – muitas não foram atendidas – mas também para resolver o pagamento dos dias parados. Como é tradição no movimento cutista, sempre defendemos que o pagamento dos dias parados se resolve na negociação e deve passar pela reposição dos serviços acumulados durante a greve. E assim foi nas mobilizações daquele período: ninguém ganhou perdão de presente e sim, com responsabilidade, intensificamos o trabalho nas semanas e meses seguintes para colocar tudo em ordem.

Nisso tudo há um componente importante, que a Folha não consegue ocultar, ao contrário do que procurou fazer durante os anos Lula: a CUT sempre fez greve na defesa dos interesses dos trabalhadores que representa, não importa qual o governo.

E não foram pouco os impasses. Segundo Pedro Armengol informou à Folha, em 2009 e 2010, por exemplo, os trabalhadores e trabalhadoras do Ibama, do Ministério do Trabalho e Emprego e do FNDE (Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação) tiveram ponto cortado. Só que a CUT recorreu à negociação e conseguiu reverter a medida, trocando essa penalidade por reposição de serviço. As negociações incluíram a possibilidade de retomada das greves, além de horas a fio de negociações que por várias vezes vararam a madrugada.

O jornal também desprezou informações dadas em entrevista por este presidente da CUT. Questionado sobre o tal “endurecimento” do governo atual, provoquei: “O que vocês têm a dizer sobre a greve dos professores em Minas Gerais, que durou mais de 100 dias e foi marcada pela repressão por parte do governo do PSDB? E a greve dos professores no Ceará, onde vimos inclusive professores apanhando da polícia?”.

Diante do silêncio do repórter do outro lado da linha telefônica, emendei uma argumentação na seguinte linha: “Temos uma demanda aquecida, em que os trabalhadores querem com justiça uma parte dos resultados econômicos. Ao mesmo tempo, temos um vácuo legal, que é a ausência de obrigatoriedade de negociação no serviço público. Por isso que é necessário elaborar a legislação complementar da Convenção 151 da OIT e estabelecer de forma clara os deveres dos poderes das três instâncias de governo nos momentos de negociação coletiva ou impasses”.

Esse vácuo legal permite também o recurso, por parte do Poder Judiciário, aos interditos proibitórios, que criminalizam as greves e impõem limites físicos – como distância em metros entre grevistas e a empresa alvo da greve – que são, de fato, um desrespeito ao direito constitucional de se fazer greve.

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Uma resposta para “Confira o que a Folha não contou sobre as greves organizadas pela CUT neste ano

  1. Luiz Mario

    Gostaria de lhe propor que o Dieese fizesse um estudo de impacto na economia quando o SMP dos técnicos industriais e agricolas for aprovado (PL 2861/08), afinal somos 3.000.000 de tecnicos. Outra o Dep Fedeeral Marco Maia, o presidente da cas que ja nos enrolou com a sumula vinculante 4, novamente esta em cena, agora atrasa a nossa votação na camara. A FNA, CNM, a CNQ já deve ter levado nossa causa a diretoria da CUT Nacional, alem de nossas mensagens via site da entidade e por outros meios. Artur é duro arregimentr apoios ate mesmo na esquerda, até o Vicentinho nos ajudou, mas podera aajudar muito mais, alem de outros do PSOL, PSTU, PSB…Mas acessar vc e a CUT nacional está difícil, mesmo com apoio da FUP, FNP, Sindpetro RJ, vc não tem dado a minima. Entre e, contato com o Loretet assessor do Vicentinho ou diretamente conosco, lembresse que vc tbm é tecnico ou vais esconder sua historia?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s