Começa greve de 48 horas no Chile. Estudantes, trabalhadores, donas de casa, todos juntos contra o neoliberalismo

Da Agência de Notícias Adital:

Movimento estudantil, Central Única de Trabalhadores e 70 organizações sociais, ambientais e sindicalistas iniciaram hoje (18) a Jornada Nacional de Ação e Mobilização pela Educação, que inclui paralisação de 48 horas, panelaço e manifestações nesta quarta-feira. As mobilizações ocorrem após o fracasso, no início deste mês, da mesa de negociação entre governo do Chile e estudantes, que reivindicam educação pública, gratuita e de qualidade.

Dando início à jornada, os estudantes entregaram, no Palácio de La Moneda, os resultados do Plebiscito Nacional pela Educação, consulta não vinculante realizada pela Mesa Social pela Educação nos últimos dias 7 e 8. Participaram do plebiscito cerca de 1,5 milhão de chilenos, a maioria, 88,7%, exigiu gratuidade da educação no país.

Pelo fim das privatizações, a população chilena deve sair às ruas às 20h (horário local) para participar do panelaço nacional, demonstrando ao governo que não concorda com a situação do sistema educacional.

Já nesta quarta-feira (19), quatro manifestações simultâneas sacudirão a capital chilena, Santiago. De acordo com o movimento estudantil, a estimativa é de que 100 mil chilenos e chilenas se somem às marchas, que sairão da Região Metropolitana e culminarão na Faculdade de Engenharia da Universidade do Chile.

Apesar de apenas dois trajetos terem sido autorizados pela Intendência Metropolitana, os estudantes prometem realizar quatro marchas. Outras cidades do país também resolveram aderir à paralisação e realizar protestos.

Democracia para Chile, que integra a Jornada Nacional de Ação, lançou nota defendendo a necessidade de transformações estruturais no Chile, com a construção de uma “verdadeira democracia”, que deve passar por uma nova Constituição Política e a eleição de uma Assembleia Constituinte participativa e vinculante.

A articulação destacou ainda a importância das manifestações, que vêm ocorrendo desde abril deste ano, e criticou que, mesmo assim, o governo não esteja disposto a realizar as mudanças demandadas pela sociedade.

Para além da problemática da Educação, Democracia para Chile chamou a atenção para outros temas sociais – início das obras da hidrelétrica Hidroaysén, na Patagônia chilena; nula reconstrução nas localidades afetadas pelo terremoto de 2010; e criminalização dos movimentos sociais.

Por sua vez, a Confederação Bancária também expressou apoio à causa dos estudantes, reforçando que a luta também é encampada pelos trabalhadores do setor financeiro. “Os trabalhadores da indústria financeira, somos testemunhas de como se constrói uma política que aprofunda a discriminação e o abuso contra as famílias trabalhadoras. Temos observado como a permanente política do ‘crédito’ endivida com taxas imorais a centenas de famílias, das quais nós mesmos somos vítimas”, declarou, em convocatória à jornada.

Posição antidemocrática

Além de paralisar o diálogo com estudantes, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, apresentou projeto de lei que penaliza as ocupações de estabelecimentos educacionais, prevendo penas de até três meses de reclusão. Após receber várias críticas, o ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, explicou que as sanções só serão aplicadas a ocupações em que se utilize a força ou a violência.

Os estudantes estão ainda mais preocupados com a discussão sobre o Orçamento de 2012, que já se faz no Congresso nacional. A proposta apresentada é de aumento para 7,2% dos recursos destinados à educação, percentual considerado insuficiente pelo movimento estudantil, que reivindica 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

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