Presidente do TST defende propostas iguais às da CUT para mudar estrutura sindical. Mas o Estadão faz confusão

O jornal O Estado de S. Paulo de hoje faz uma confusão e tanto com uma entrevista concedida pelo presidente do TST, João Orestes Dalazen.

Logo abaixo da manchete (‘Modelo sindical brasileiro é arcaico e inconveniente’), texto de apresentação da entrevista – a chamada linha fina – diz que o presidente do TST defende que os sindicatos “negociem diretamente por empresa, não mais por categoria”.

Não foi isso que Dalazen disse. O que ele disse, e está lá escrito na mesma entrevista, é que é preciso implementar em todas as categorias o que chamamos de comitês sindicais de empresa, ou seja, a organização por local de trabalho. Ele cita como exemplo os comitês que existem nas empresas metalúrgicas do Grande ABC.

Esses comitês são representações sindicais que funcionam em tempo integral dentro das empresas, com autonomia em relação à direção da companhia. Mas todos são subordinados ao sindicato, e seus representantes são eleitos no mesmo processo de votação que escolhe a direção executiva do sindicato.

Não são entidades à parte, muito ao contrário. O que são, se assim pudermos definir, numa linguagem pouco usada no movimento sindical, “postos avançados” do sindicato dentro das empresas, com a função de negociar e resolver as demandas daquele local de trabalho.

Porém, o sindicato, compreendido como entidade que negocia as questões gerais de toda a categoria, permanece.

Para entender melhor o que significa, leia mais aqui.

De resto, na mesma entrevista Dalazen defende mudanças que a CUT também defende, e brada aos quatro ventos sem, no entanto, ser repercutida com frequência ou fidelidade pelos jornais.

Assim como o presidente do TST, defendemos a ratificação da convenção 87 da OIT, o fim do imposto e da unicidade sindicais. Porque também achamos que a estrutura sindical, como está, é arcaica e inconveniente.

Quem resiste às mudanças são as outra cinco centrais, que inclusive recuaram de acordo que haviam feito pelo fim do imposto sindical.

Sobre isso, leia mais aqui.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

2 Respostas para “Presidente do TST defende propostas iguais às da CUT para mudar estrutura sindical. Mas o Estadão faz confusão

  1. Artur,

    Essa ideia de “negociar diretamente com a empresa” é estratégia antiga que os donos do capital (menos afeitos ao valor social do trabalho), através da mídia conservadora, tentam fazer vingar, a fórceps. O que se quer é o sindicato bem longe da empresa (preferencialmente, que não passe nem na porta). A maior prova disso é ênfase que se quer dar na suposta importância da negociação coletiva, no âmbito da empresa, de modo que os próprios empregados negociem diretamente com o patrão, sem interveniência do sindicato. Dizem que essa seria a “melhor forma de negociar” porque os trabalhadores conhecem mais de perto os problemas da empresa (sic). Há, inclusive, inúmeras teses jurídicas sobre esse tema. Eles não vão sossegar enquanto não emplacarem esse intento.

  2. Pingback: Presidente do TST defende propostas iguais às da CUT para mudar estrutura sindical. Mas o Estadão faz confusão | ParanáBlogs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s