Se o governo quiser flexibilizar a CLT, vai enfrentar a oposição da CUT

É no mínimo estranho ser informado através dos jornais de domingo que o governo pensa em adotar uma mudança na CLT para permitir o que se chama de “trabalho parcial” ou por empreitada.

Dito assim, pode até parecer uma coisa bacana: o cidadão vai ter carteira assinada mesmo que o emprego não seja diário, o compromisso com a empresa não seja integral.

Porém, é preciso ter claro que as empresas podem se utilizar dessa brecha para transformar todos os contratados em “empregados parciais” ou “por hora”.

Leia texto que distribuí hoje para a imprensa a respeito do tema:

 

ATUALIZAR A CLT SÓ SE FOR PARA AMPLIAR DIREITOS

A CUT (Central Única dos Trabalhadores), maior central sindical do Brasil, considera que eventuais propostas de atualizar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) devem ter como objetivo a ampliação dos direitos dos trabalhadores e não a flexibilização desses direitos em nome de uma falsa “modernização”.

O Brasil vem vivendo nos últimos nove anos um processo de retomada da geração de empregos com carteira assinada e um aumento da renda dos trabalhadores. Hoje, mais de 52% da população ocupada tem carteira assinada e, portanto, acesso a todos os direitos e conquistas históricas da classe trabalhadora brasileira. Nos demais 48% estão inclusos a economia solidária, os micro e pequenos empreendedores donos do seu próprio negócio etc.

É fato que ainda temos um enorme contingente de trabalhadores na condição de informais, sem acesso aos benefícios da legislação trabalhista e esse deve ser o foco de medidas que avancem na formalização dos trabalhadores, como temos feito insistentemente ao cobrar a agenda do trabalho decente em todas as atividades econômicas.

O que a CUT não vai permitir, em hipótese nenhuma, é um retrocesso no sentido de trocar a situação dos atuais trabalhadores formais por contratos eventuais ou em tempo parcial, aumentando assim a informalidade e não combatendo-a, como deve ser o papel de uma central sindical que defende os direitos dos trabalhadores.

Aliás, causa no mínimo estranheza, que num Governo Democrático e Popular, a maioria das centrais sindicais, entre elas a maior Central Sindical do País, fique sabendo de projetos como esse pelos jornais, a partir de uma demanda levada por empresários ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e que a elaboração do Projeto esteja a cargo do Ministério do Trabalho e Emprego sem nenhuma consulta aos principais interessados, os trabalhadores e suas entidades representativas.

Por fim, cabe lembrar também que na CLT ainda persiste um capítulo relacionado à organização sindical que esse, sim, precisa ser “modernizado”, com o objetivo de fortalecer a negociação coletiva e o direito de greve, a liberdade e a democracia, acabando com as entidades sindicais fantasmas e de gaveta, substituindo o imposto sindical por uma contribuição aprovada pelos próprios trabalhadores em assembleias e acabando com a interferência do Estado (Executivo e Judiciário) na livre organização dos trabalhadores.

Artur Henrique da Silva Santos – Presidente Nacional da CUT

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1 comentário

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Uma resposta para “Se o governo quiser flexibilizar a CLT, vai enfrentar a oposição da CUT

  1. maria aparecida verissimo gomes

    Arthur Henrique da Silva Santos, seja olhos,ouvidos e coração de todos os trabalhadores. Esteja atentoa “mudanças” não se descuide, o povo precisa de alguém ue o defenda.

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