Kassab e Serra são aspirina. Precisamos de outra abordagem, diz o candidato a prefeito de SP Fernando Haddad

A jornalista Flaviana Serafim acompanhou na manhã desta terça o 6º encontro Cartas na Mesa, promovido pela Rede Brasil Atual, que teve como convidado o candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad, do PT.

Ele, que é meu candidato e para quem, evidentemente, vou votar, mostrou-se mais uma vez um grande quadro.

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“Transporte público, moradia, saúde e educação – é a partir desses quatro eixos que vamos dialogar com as demais dimensões da vida na cidade”, afirmou Fernando Haddad (PT-SP), pré-candidato à prefeitura de São Paulo, ao apresentar suas propostas de governo durante o 6º Cartas na Mesa, encontro promovido nesta manhã pela Rede Brasil Atual para jornalistas das mídias não comerciais, de sindicatos e blogueiros.  “Estamos acanhados no que diz respeito a soluções criativas para a cidade”, criticou o pré-candidato ao analisar a ausência de soluções para questões estruturais durante a gestão do prefeito Gilberto Kassab.

“É quase uma gestão provinciana da cidade, com uma visão muito acanhada, tacanha, de uma cidade que tem o direito e o dever de contribuir para o desenvolvimento nacional. São Paulo depende muito do Brasil e o Brasil depende muito de São Paulo. Essa dialética do nacional com o local precisa ser reestabelecida porque o plano que a presidenta Dilma lidera depende da solução de problemas metropolitanos”, avalia.

Transporte público e moradia
“As distâncias estão se ampliando e não há orçamento de mobilidade urbana que dê conta desse desequilíbrio”

Haddad afirmou que a gestão atual abdicou do transporte coletivo sem investir  em corredores, terminais e nem na racionalização das linhas de ônibus. Na opinião do pré-candidato, as soluções passam pelo fortalecimento do transporte coletivo multimodal – com a contratação de serviços de transporte sobre pneus, estabelecimento de metas e investimentos também no metrô para garantir integração; – pela gestão de engenharia de trânsito, com investimento em recursos humanos e tecnologia para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET); e pela descentralização das oportunidades econômicas e serviços públicos, reduzindo os percursos entre casa e trabalho.

Na área habitacional, Haddad explicou que falta compreensão de que o problema de moradia atinge a todos na cidade e não somente aqueles que não têm uma casa para morar. “Não há projeto ambiental, de sustentabilidade, sem um plano habitacional. Se quisermos dialogar com a agenda de ampliação de áreas verdes, de saneamento básico e coleta seletiva de resíduos sólidos, não há como enfrentá-los sem um plano habitacional”.

Haddad destacou que o momento atual é um dos piores neste setor, pois “nunca se produziu tão pouca moradia popular para a população de baixa renda como hoje. Num momento em que o Brasil avança, estamos engatinhando para enfrentar o desafio ambiental”. Segundo o pré-candidato petista, a atual lógica da construção é excludente, com verticalização dos espaços para um número menor de pessoas. O pré-candidato chamou atenção para a falta de planejamento urbano que tem aumentado a distância entre moradia e local de trabalho, com a consequente queda na qualidade de vida do trabalhador e agravamento dos problemas de trânsito e transporte.

“Falta planejamento urbano e uma visão equilibrada que aproxime os bairros da dinâmica de uma cidade. Não temos planos de integração regional dentro de São Paulo. As distâncias estão se ampliando e não há orçamento de mobilidade urbana que dê conta desse desequilíbrio”, alertou. “Ou você transforma os bairros onde têm emprego em bairros mistos onde há moradia, e os bairros–dormitório em bairros híbridos onde há emprego, ou você não consegue uma gestão da mobilidade urbana”, concluiu.

Saúde e educação
“A gestão atual é uma gestão de aspirina e nós estamos precisando de um outro tipo de abordagem”

Investir na educação em tempo integral, com meta de atendimentos para crianças e adolescentes, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade social foi a principal proposta para a área. “Numa cidade como São Paulo, não podemos restringir a questão da educação no ensino somente”.

Na visão de Haddad, é preciso “transformar São Paulo numa cidade educadora e, para isso, todos os equipamentos públicos e sociais estarão subordinados como clubes, praças, centros culturais. A lógica educadora está na perspectiva de manter a criança e o adolescente mais tempo sob a responsabilidade da escola”, explicou.  Ao citar a dimensão do descaso da prefeitura atual com as questões da educação, ele citou a verba disponibilizada pelo governo federal para 172 novas creches, não construídas por Kassab com a alegação de que faltam terrenos disponíveis na cidade.

Na saúde, a perspectiva é tratar a área estruturalmente como as demais. Neste setor a questão é ainda mais delicada, pois Kassab terceirizou a gestão da saúde com as OS, não entregou os três hospitais prometidos, as vagas existentes são insuficientes e ainda existe o risco de se perder 25% dos leitos existentes caso prossiga a proposta de privatização do governo estadual para as vagas no SUS. “As filas continuam as mesmas ou, pior, ampliadas. Se não houver atenção básica e de média e alta complexidade compatível com São Paulo, não adianta porque não se vai resolver o problema da saúde com aspirina. A gestão atual é uma gestão de aspirina e nós estamos precisando de um outro tipo de abordagem”, ressaltou.

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