Arquivo do mês: julho 2012

Mensagem de despedida aos leitores deste blog

Na última quinta-feira, dia 12 de julho, deixei a Presidência Nacional da CUT, após seis anos e dois mandatos à frente da maior central sindical do País e a quinta maior do mundo.

Fui sucedido pelo companheiro Vagner Freitas, eleito por mais de 90% dos votos de 2,300 delegados e delegadas de todas as regiões, categorias e setores de atividade do Brasil que participaram do 11º CONCUT (Congresso Nacional da CUT), encerrado na última sexta-feira.

Vagner é bancário, jovem, porém experiente, aos 46 anos com sólida vivência sindical, desde a base, onde passou a militar tão logo começou a trabalhar no Bradesco, em São Paulo. Foi também presidente da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), uma bem-sucedida experiência cutista de organização sindical por ramo de atividade – representa trabalhadores e trabalhadores de todo o sistema, e não apenas dos bancos. A Contraf-CUT congrega mais de 90% de todos os brasileiros do setor, e suas campanhas salariais são nacionais. Isso significa que os acordos coletivos que fecha atingem diretamente todo o território nacional, garantindo pisos salariais, aumentos e direitos em pé de igualdade em todas as regiões – um avanço organizativo que todos os demais ramos da CUT pretendem atingir.

Eu e Vagner no momento da posse do novo presidente da CUT. Foto; Roberto Parizotti

A CUT, acredito firmemente, tem a partir de agora em sua Presidência um companheiro valoroso, que saberá ouvir seus representados e dirigir a Central no bom caminho.

Eu deixo a Presidência após o segundo mandato como pretendia fazer desde quando fui eleito pela primeira vez. Sempre acreditei que o movimento sindical precisa de renovação, e para isso cada um de nós que o compõe deve fazer sua parte. Tenho me guiado por essa convicção desde os tempos em que comecei a militar em meu sindicato, o SinergiaSP-CUT.

A partir de agora, com o aval que me foi dado pela CUT, por intermédio da eleição realizada no 11º CONCUT, sigo para novas tarefas. A mim caberá organizar as ações da Central em suas relações com o movimento sindical do continente americano, com especial ênfase na América Latina e na América Central.

Outra função que vai me caber é coordenar o Instituto de Cooperação Internacional da CUT, ajudando a formular políticas para o sindicalismo de nosso continente e fortalecer os laços e a cooperação entre o Brasil e nossos vizinhos. Neste momento tão especial que vivemos, pós-ascensão de governos democráticos, populares e nacionalistas, é importante compartilhamos experiências e elaborarmos programas efetivos de cooperação em nome da construção um novo modelo de desenvolvimento, com valorização do trabalho e distribuição real de renda e protagonismo popular.

Nessa mesma área, vou também colaborar com o Instituto Lula, a convite do ex-presidente da República, na construção de políticas de cooperação trabalhista em nosso Continente.

Este blog, criado em 2010 com o objetivo principal de fazer a disputa eleitoral que corria naquele ano, vai agora chegando ao fim, ao menos enquanto “o blog do presidente nacional da CUT”. É possível que criemos outro, mas certamente com outro enfoque.

Agradeço profundamente àqueles que passaram por este blog, que acompanharam nossas contribuições para o debate, e também a todos os companheiros e companheiras da CUT, em todos os lugares do Brasil, que conosco compartilharam essa luta, dando suporte, emprestando confiança, mostrando o caminho, contando-nos o que ocorre nas bases.

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Livro resgata atuação da CUT nas eras Lula e Dilma. Obtenha aqui o PDF completo

Escrito por Tatiana Melin para o portal do Sindicatos dos Bancários de São Paulo:

Artur Henrique, presidente da Central, sintetiza as principais lutas e desafios nos últimos seis anos em

CUT: um olhar de 2006 a 2012

São Paulo – O 11º Congresso Nacional da CUT (Concut) encerra o período em que Artur Henrique esteve à frente da maior central sindical do país. Técnico eletrotécnico, sociólogo de formação e sindicalista por vocação, Artur assumiu a Presidência da entidade em 2006 e foi reeleito em 2009.

“Não fizemos tudo o que queríamos, mas fizemos muito para mostrar que a CUT continua sendo o principal instrumento de luta e organização da classe trabalhadora do Brasil”, destacou Artur Henrique, ao apresentar o balanço da gestão. “Isso é obra da classe trabalhadora unida, refletida neste 11º Concut, que representa mais de 22 milhões de trabalhadores de todo o país”, ressaltou.

Capa do livro

Foram seis anos de mobilizações, negociações, certezas e incertezas, como aponta o livro CUT: um olhar de 2006 a 2012, lançado neste 11º Concut, e no qual Artur analisa e sintetiza os principais avanços e desafios da Central nessas duas últimas gestões.

A luta pela implementação da política de valorização do salário mínimo, pelo fim do fator previdenciário, contra as privatizações e pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo são alguns dos muitos episódios que fazem parte da história recente da CUT.

Essas passagens e outras análises sobre o período podem ser conferidas no livro. “Isso é um pouco do que tentaremos mostrar por meio deste balanço, com olhar crítico e possível a quem discorre sobre a si mesmo, e com incontornável orgulho de quem uniu sensibilidade, argúcia e solidariedade em nome de ideais que o tempo vai confirmando como justos e fraternos”, diz trecho.

Leia a íntegra do livro clicando aqui.

Leia também mais sobre a gestão clicando aqui.

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Desoneração da folha de pagamentos não gera emprego automaticamente

A CUT sempre disse que a desoneração da folha de pagamentos não é a panaceia que vai garantir geração ou manutenção de empregos.

Se uma coisa estivesse necessariamente ligada a outra, a experiência do SuperSimples, por exemplo, teria criado mais empregos. E as estatísticas provam que isso não aconteceu.

Isso não quer dizer que não devamos pensar em alternativas, definitivas ou anticíclicas, para estimular a economia.

Porém, é preciso ter claro de uma vez por todas que esse discurso em torno da desoneração da folha como varinha de condão é falso.

Na edição de hoje, o jornal O Globo traz um balanço sobre o descompasso entre a isenção de impostos sobre a folha e o ritmo de geração de empregos.

Muitos setores que ganharam o incentivo reduziram as contratações, em comparação com o ano passado.

Confira:

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Pedra no sapato: em artigo n’O Globo, CUT comenta porque fez mais greves no governo Lula do que no governo FHC

Uma parte da imprensa teima em dizer que os movimentos sociais teriam sido amestrados durante o governo Lula. O Globo, recentemente, foi além e associou essa pretensa subordinação – e uma hipotética “paz” de que teria desfrutado o ex-presidente – ao repasse de verbas federais para entidades que integram o movimento social.

Vamos analisar alguns dados em relação à CUT. Segundo o Sistema de Acompanhamento de Greves do Dieese, nossa Central realizou durante os oitos anos de Lula quase o dobro do número de greves no serviço público federal do que realizou durante o período FHC.

Incluindo funcionalismo federal e as estatais, os trabalhadores públicos da União, entre 2003 e 2010, realizaram 248 greves para pressionar o governo Lula a abrir negociações, aumentar salários e iniciar a reestruturação dos planos de cargos e carreiras. Já entre 1995 e 2002, foram 133 greves. A CUT representa 90% de todos os sindicatos do setor.

Esses dados desmentem de uma vez por todas o mito de que a CUT teria aliviado a pressão sobre Lula. Sabemos dividir o papel de uma central, de um partido, de um governo. O nosso é de defender os direitos e anseios dos trabalhadores e trabalhadoras – o que inclui saber construir propostas, dialogar e, também, mobilizar e fazer greve quando preciso.

A diferença fundamental entre FHC e Lula, e que explica inclusive a diferença do número de greves num período e noutro, é que Lula, ex-sindicalista, fundador da CUT, sempre soube que para obter crescimento econômico e iniciar um processo de redistribuição de renda seria preciso dialogar com o movimento social. Seu governo não foi exemplar nesse quesito, tanto que muitas vezes, por exemplo, foi preciso recorrer à greve no serviço federal para que as negociações fossem realizadas.

Porém, ao considerar reivindicações como a valorização do salário mínimo e o papel do Estado como indutor do crescimento – algo que FHC desprezou – o período Lula ativou o crescimento da economia, gerando um cenário mais favorável a novas reivindicações. Também não houve repressões ao movimento sindical como no período anterior, cujo caso mais emblemático foi a batalha contra os grevistas da Petrobrás, em 1995 – greve que ajudou a impedir a privatização da estatal.

Dizer que os movimentos sociais propiciaram paz para Lula é uma piada de mau gosto. Pressionamos através de greves, mobilizações e ocupações de terra (quando não ignoradas, deturpadas por grande parte da mídia). E o fizemos por acreditar que a pressão serve para avançar nas conquistas sociais.

Por fim, lembro que os repasses de verbas do governo Lula para o movimento sindical foi muito menor do que no período FHC. Este, ávido por terceirizar o serviço público, transferia verbas do FAT para que as centrais cuidassem da tarefa de recolocação profissional – o que gerou os famosos (e enganosos) balcões de emprego. Por pressão da CUT, essa conexão foi desfeita no início do governo Lula, e a recolocação e qualificação profissional voltaram à esfera do poder público.

 

Artur Henrique, presidente nacional da CUT

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