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CUT fez quase o dobro de greves no serviço público federal nos anos Lula do que na era FHC

O Sistema de Acompanhamento de Greves (SAG) do Dieese demonstra que entre 1995 e 2002 foram realizadas 133 greves na esfera pública federal, o que inclui funcionalismo e empresas estatais. Já entre 2003 e 2010, durante os dois mandatos presidenciais de Lula, o número de greves atingiu 248.

Como a CUT representa aproximadamente 90% dos trabalhadores públicos federais e dos trabalhadores de estatais, pode-se concluir que a imensa maioria desses movimentos grevistas foi realizada por entidades cutistas.

Os números desmentem de vez a tese de que a mobilização da CUT teria arrefecido durante os mandatos de Lula, como tantas vezes as oposições sindicais e parte da imprensa insinuaram. “Sempre afirmamos que o ímpeto mobilizador e reivindicador da CUT estava presente. Sempre soubemos separar o papel que cabe à Central, que é o de pressionar, cobrar e negociar em nome dos interesses da classe trabalhadora, e os papéis de governo e partido”, comenta o presidente da CUT, Artur Henrique. “Porém, com esses números consolidados, acabamos com as especulações de uma vez”, completa.

O maior número de greves no setor público federal no período Lula também se explica pelo fato de o País ter vivido um momento de crescimento econômico e de geração de empregos, inclusive no funcionalismo federal, com a abertura de concursos públicos. Num ambiente de crescimento, normalmente os trabalhadores e trabalhadoras organizados aumentam seu poder de negociação.

Na era FHC, por outro lado, houve forte retração econômica e o governo tucano utilizou-se de diferentes ferramentas para promover demissões de grevistas e para sufocar mobilizações. Ao mesmo tempo, fechou-se às negociações e promoveu uma onda de terceirizações no serviço público, enquanto as privatizações eliminaram postos de trabalho.

“Esse ambiente de arrocho e repressão colocou os trabalhadores numa espécie de trincheira, numa luta de resistência contra o desmonte do mercado e do emprego”, lembra Artur.

Assembleia decide por greves no BB e na CEF em 2010. Foto de Fábio Rodrigues Pozzebom, da Agência Brasil

Pedro Armengol, coordenador nacional do Serviço Público da CUT, comenta ainda que aquele ambiente de ataque aos direitos trabalhistas exigia mobilizações e greves muitas vezes mais ruidosas do que as realizadas no período Lula. Um exemplo sempre lembrado é o da greve dos petroleiros de 1995, que ajudou a impedir a privatização da Petrobrás, mas que foi longa e enfrentou inclusive repressão das Forças Armadas. “Esse tipo de situação chamava muito mais a atenção, ocupava muito mais espaço na imprensa”, diz ele.

Porém, num ambiente de negociação permanente, de diálogo e crescimento como os anos Lula, lembra Armengol, os  impasses diminuíram.

No período Lula, avalia a CUT, houve muitos avanços na esfera pública federal para os trabalhadores. Setores conquistaram a construção de planos de carreira, aumentos reais de salário foram obtidos após longos anos de simples reposição da inflação na era FHC e muitos concursos foram realizados para substituir os terceirizados.

“Não fazemos greve pela greve. Greve é instrumento para abrir negociações, para pressionar por avanços”, comenta Artur.

Para compilar todas as conquistas obtidas pelo funcionalismo federal, setor por setor, será preciso fazer uma pesquisa minuciosa junto a cada um deles, uma vez que os resultados consolidados não são captados pelas estatísticas do Dieese. Rodrigo Linhares, técnico do Dieese Nacional, explica que isso ocorre porque o serviço público federal não tem um sistema de negociação formal, portanto não tem data-base. Sem periodicidade definida, as negociações e seus resultados são garantidos através de instrumentos como portarias e medidas provisórias. Para contornar as dificuldades estatísticas impostas por esse caráter fragmentário das negociações no setor, uma alternativa seria os sindicatos criarem o hábito de enviar as informações de suas campanhas para o Dieese. Mas isso ainda não acontece.

Aliás, as entidades sindicais, de todos os setores e ramos de atividade, não enviam seus dados sobre greves ou negociações salariais para o Dieese. Por causa disso, o departamento precisa acompanhar os resultados, necessários para a confecção dos balanços anuais de greves e campanhas, através da imprensa. Isso impede também que o Dieese tenha certeza sobre a qual central cada um dos sindicatos em campanha ou em greve é filiado.

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FHC, a maconha e a estratégia para fazer do tucano um “trend topic”

No post que coloquei aqui há algumas horas – antes das 14h, horário em que o twitter costuma fazer barulho – eu dizia que ontem havia observado a gênese de uma ação coordenada para fazer o FHC virar “trend topic”.

Quando fiz o primeiro post sobre o assunto, a tentativa de fazer o FHC “bombar” nas redes sociais ainda não havia dado resultado.

Depois das 14h, o quadro mudou. FHC e maconha passaram a constar entre os assuntos mais vistos no twitter em São Paulo.

Então, minha observação estava certa. Uma ação coordenada entre Luciano Huck, Folha, Veja e Globo queria colocar o ex-presidente tucano na vitrine, acompanhado de um tema caro à classe média e com grandes chances de disputar as redes sociais.

Entenda como fizeram isso lendo o post anterior, logo abaixo, ou clicando aqui.

Confira comentário enviado para este blog:

cilmara bedaque

maio 30, 2011 às 3:00 pm

esta estrategia foi montada e dará resulytados em jovens despolitizados de são paulo. às 14 hs, nos TTs de SP #FHC já está no top ten juntamente com #THC e #maconha.

p.s.: por volta de 17h30, o “trend” ligado a FHC já havia deixado a lista dos mais concorridos.

3 Comentários

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Luciano Huck, Folha, Globo e Veja tentam transformar FHC em “trend topic”

Arrisco-me a dizer que neste último domingo houve um ensaio para transformar o ex-presidente FHC em um dos assuntos mais comentados na internet brasileira, via twitter e blogs.

Se a análise estiver correta, o episódio pode servir de exemplo de uma das maneiras como se pode dar a gênese de um “trend topic” – assunto que é tendência na web, popularmente conhecido como assunto que “bomba”.

Mas não deu certo até agora, apesar da ajuda dos meios tradicionais de comunicação (p.s.: este post foi escrito antes das 13h).

Na edição da Folha de ontem, no caderno Ilustrada, a capa traz uma reportagem sobre o documentário “Quebrando o Tabu”, produzido por Luciano Huck e dirigido por seu meio-irmão Fernando Grostein Andrade, em que a estrela é o ex-presidente FHC e a coadjuvante é a droga.

No filme, que vai ser lançado em circuito comercial, FHC roda vários países para conferir como é a relação dos estados nacionais com o consumo e o tráfico de drogas – imaginem FHC num coffee shop em Amsterdã.

Huck e o diretor, através de leis de incentivo à cultura, arrecadaram R$ 2,4 milhões para financiar a produção, mais do que um filme como “Cartola” que, segundo a Folha, arrecadou R$ 1,33 milhão.

Na página seguinte do mesmo caderno da Folha, FHC, estrela do filme, surge como um homem antenado no seu tempo, defendendo a descriminalização das drogas e que o consumo seja tratado como questão de saúde pública, e não como caso de polícia. O ex-presidente concede até mesmo a possibilidade de as pessoas plantarem maconha em casa como alternativa ao tráfico.

FHC discorre sobre o tema em entrevista à colunista Mônica Bérgamo. A entrevista é boa, e o ex-presidente faz declarações lúcidas, que o aproximam em parte, neste tema, de parcelas importantes do pensamento progressista.

“Quando eu digo descriminalizar, eu defendo que o consumo não seja mais considerado um crime, que o usuário não passe mais pela polícia, pelo Judiciário e pela cadeia. Mas a sociedade pode manter penas que induzam a pessoa a sair das drogas, frequentando o hospital durante um período, por exemplo, ou fazendo trabalho comunitário. Descriminalizar não é despenalizar. Nem legalizar, dar o direito de se consumir drogas”, disse FHC na entrevista.

O tucano argumenta também, em outro momento da entrevista, que a institucionalização de espaços para o consumo da droga poderia ajudar a combater a epidemia de drogas como o crack. “Em SP, na cracolândia, o pessoal se droga na rua, à vontade. É melhor se drogar na rua ou ter um local específico? Isso não é liberar, é tratar como saúde pública”, comenta.

Porém, nosso objetivo principal aqui não é debater o tráfico e o consumo de drogas nem a posição de FHC sobre o assunto, e sim analisar o que pode ter sido uma tentativa de colocar o ex-presidente, nesta segunda e nos dias subsequentes, em evidência na internet.

Tentativa que, se tivesse dado certo desta vez, atenderia recomendação do próprio FHC ao PSDB, a de disputar a opinião da classe média através das redes sociais.

No mesmo domingo, o blogueiro Reinaldo Azevedo, hospedado na página da revista Veja, vociferava. “A petralhada está enchendo o meu saco”, escreveu, logo na abertura de texto em que insinuava que uma multidão de petistas estaria cobrando dele, naquele momento, um posicionamento a respeito das opiniões de FHC. Opiniões que estariam à esquerda do pensamento do próprio Reinaldo, reconhecido conservador e defensor ferrenho do ex-presidente tucano.

“A partir de amanhã e por uns bons dias, o Brasil terá um novo assunto: a descriminação das drogas, da maconha em particular”, profetizava, em outro trecho de seu post, o articulista da Veja. Ele certamente apostava que o assunto tomaria a rede, e para ajudar nisso, simulava chamar os “petralhas” para briga e assim, atear fogo na discussão.

Nada disso ocorreu. Até a manhã desta segunda, quase meio-dia, apenas 181 pessoas haviam comentado o texto de Reinaldo no próprio blog dele.

No mesmo horário, o “trend topic” #maconha estava no ar, mas sem nenhuma menção a FHC. Muito provavelmente, maconha era um dos temas que lideravam a corrida nas redes sociais hoje em função do longo debate sobre o tema e de eventos como a Marcha da Maconha, tratada a cassetetes e e gás de pimenta pela polícia do PSDB, em São Paulo. O tucano não capitalizou o tema nas redes sociais.

Nem mesmo a ajuda do Fantástico de ontem, que também tratou do tema e exibiu entrevista com FHC, fez a imagem do presidente colar no assunto. Pelo menos por enquanto.

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